DHL, Seu Mané e Mesa Brasil – 13 anos de parceria

Manoel Tibúrcio é conhecido por todos como Seu Mané. Todos mesmo, pois é impossível que ele circule pelos corredores do escritório sem que seja parado e paparicado pelos funcionários. Começou a trabalhar na DHL Express na década de 1980 e colabora com Mesa Brasil desde o início da parceria.

Seu Mané nasceu na cidade de Ibirapitanga, na Bahia. Contou que nunca gostou muito da roça, desde criança queria entender essa coisa de cidade e prometeu que ainda ia pisar no pé dos prédios. Com 26 anos cumpriu a promessa e veio para São Paulo, abraçado a uma mala de couro gasto, com a cara, a coragem e o radinho de pilhas dentro. Seu Mané tem sotaque paulista e sorriso largo. Diz ter 64, mas todos duvidam por sua aparência, disposição e alegria de menino.

“O segredo de trabalho de qualquer motorista é ter o dom de tolerar o trânsito”, diz dando um sorriso e passagem para um caminhão, com a tranquilidade de quem pratica as ruas diariamente há mais de 34 anos. “A gente não pode ficar bravo se alguém xinga ou buzina, tem que neutralizar, a gentileza é uma corrente, se você é gentil aqui o outro vai ser também e o outro, e o outro…”

Seu Mané começou trabalhando como motorista na DHL. Confessa que enjoava rápido das funções. Foi promovido, passou a ser supervisor dentro da empresa, mas foi quando conheceu o Mesa Brasil que a história mudou: “Todos temos o lado egoísta, a gente pensa que se tá bom pra gente o resto que se dane, mas mudei o pensamento quando entrei e vi como era a vida essas pessoas. É um sofrimento tão grande que existe por aí que comecei a pensar que alguém tem que fazer alguma coisa. E não é todo mundo que quer ajudar o ser humano, não. Antes não sabia que existia esse tipo de trabalho de ajudar as pessoas, mas quando eu vim pro Mesa Brasil me apaixonei de cara, e pensei: vou querer ficar aqui direto.”

Depois de três entregas não pensou duas vezes e pediu para voltar a ser motorista. “Cheguei no meu gerente e disse, será que o senhor não me libera para trabalhar fixo lá? E ele disse que ‘de jeito nenhum’, que eu estava louco pois era supervisor, que poderia colocar qualquer pessoa pra fazer esse trabalho. Mas ele estava pensando no custo, e em momento algum pensei no dinheiro. Estava mesmo é pensando no ‘custo-ser-humano’. Vou te falar que eu ainda não entendia muito bem a vontade de estar ali, mas era tão forte que respondi de pronto: além de você quem é que pode me autorizar? Só o diretor podia, que também negou minha transferência. Caramba, dois nãos no mesmo dia? Daí só falando com o presidente, e pra falar com ele naquela época era quase impossível. Eu não podia passar por cima de ninguém mas já sabia bem o que queria. Joguei limpo com o presidente, ele me olhou bem nos olhos e perguntou: Tem certeza que é isso que você quer? Se o projeto não desse certo eu podia ir pra rua. Pensei e vi que era perigoso, mas não era para empresa que eu queria trabalhar, era para as pessoas. Então eu disse o maior sim da minha vida e aqui estou.”

No caminho pegamos a funcionária Aline Romero. É a segunda vez que ela participa como voluntária e diz que esperou muito para voltar. “É a maior briga pra voluntariar no Mesa, todo mundo quer vir de novo e a lista é grande!”

Hoje a DHL tem cerca de 690 funcionários cadastrados, e todos os departamentos participam do programa de voluntariado do Mesa Brasil. Existe uma escala de quase 3 meses de espera para que todos possam ter sua vez.

“Esses voluntários são como meus filhos, eu aprendo com eles, eles aprendem comigo. As vezes você recebe um abraço e fica em dúvida se é verdadeiro, aqui é outra coisa, os abraços que recebo são desinteressado, não são pra ganhar cargo ou status, dá pra sentir, porque vem de dentro. Todo mundo sai daqui melhor do que chegou. A gente aprende a amar as pessoas e entender como elas são, é um conhecimento que faculdade nenhuma dá, é uma coisa que eu nem sei explicar com as palavras’, diz Mané. 

Aline comenta que é dia de confraternização na empresa, mas seu Mané diz: “A minha festa é aqui, nesse carro. Teve um dia, mês passado, fui fazer entrega em um asilo, o trânsito me atrasou um pouco e já era quase a hora do café, e eles são como crianças, chega o horário de lanchar já formam uma fila com suas canequinhas. Quando vi já estavam todos em pé e a funcionária com a mão no queixo pensando no que ia falar para os meninos (forma carinhosa de chamar os velhinhos). O asilo não tinha absolutamente nada para oferecer pra eles comerem. Quando viram o carro do Mesa foi aquela alegria. Eu fiquei emocionado pois vi que cheguei na hora certa. Todos os dias penso que tudo que eu estou levando está fazendo o bem para as pessoas, mas principalmente para mim, pois eu recebo em dobro o que carrego. Quer festa maior que essa?”

Fizemos as contas: nesses 13 anos, cerca de 7.140 voluntários já passaram pelos bancos do carro da DHL. No núcleo do Sesc Carmo são 140 instituições atendidas, 130 empresas doadoras e cerca de 3 toneladas de alimentos entregues todos os dias. Mas Manoel nem pensa em aposentadoria, diz que tem muita energia ainda e um bocado de coisas a aprender.

“A gente tem que plantar a sementinha, porque todo mundo um dia fica velho. E o tipo da semente é a gente que escolhe. A minha é essa aqui”

Sabores do Mesa

Em comemoração aos 20 anos do Mesa Brasil Sesc São Paulo, o Sesc Santo André realizou o festival Sabores do Mesa, nos meses de agosto e setembro. O evento apresentou três oficinas culinárias com mais de 60 instituições cadastradas.

A nutricionista responsável pelo programa Mesa Brasil Sesc Santo André, Milena Prinholato, selecionou 12 receitas seguindo os critérios estabelecidos: criatividade, utilização integral dos alimentos, baixo custo e facilidade de preparo das receitas que durante o festival foram registradas e editadas para a elaboração do “Catálogo de Receitas Sabores do Mesa”. Esse catálogo de receitas foi distribuído para todas as instituições atendidas pelo programa Mesa Brasil, como marco dos 20 anos do programa.

O festival Sabores do Mesa visou aprimorar as técnicas empregadas pelas cozinheiras das instituições atendidas pelo programa na elaboração de receitas, além de propiciar uma integração entre elas. Sempre utilizando o conceito do aproveitamento integral do alimento doado, foram desenvolvidas receitas nutritivas, saborosas e de baixo custo.

As cozinheiras das instituições prepararam pratos acompanhados pelos Chefs de Cozinha Denis Takenaka, Eleonora Soledade e Neide Rigo. A cada oficina, um chef de cozinha orientou quanto à melhor forma de preparo, ajustes de ingredientes, quantidades e dicas de variações para as receitas, sempre destacando o aproveitamento integral do alimento, seu valor nutricional, o sabor e a apresentação dos pratos. A integração das instituições junto ao Chef de Cozinha se faz quando todos olham para o mesmo lado, trabalhando conjuntamente com atitudes conscientes. E, por meio do resultado, conseguimos ver as mudanças necessárias de forma saudável, sustentável e equilibradas.

Com este catálogo, além de conhecer os “Sabores do Mesa”, o leitor poderá preparar e experimentar receitas nutritivas e saborosas!

Bom apetite!

 

6 dicas de sustentabilidade na cozinha

O Fórum Alimentação do Contexto Contemporâneo, que aconteceu nos dias 16 e 17 de outubro no Sesc Taubaté, apresentou vários pontos de vista a respeito das relações entre alimentação e sustentabilidade. Nesta lista reunimos algumas informações práticas de sustentabilidade na cozinha transmitidas durante o encontro. Sirva-se à vontade!

1- Evite o desperdício
Você sabia que a produção de alimentos precisa aumentar 70% até o ano de 2050 para suprir toda a necessidade alimentar da população? Por outro lado, 1/3 da comida que produzimos vai para o lixo, num desperdício que começa no transporte até chegar naquele tomate que acabou apodrecendo na geladeira de casa. Além disso, muito do que jogamos no lixo pode se transformar em pratos saborosos e diferentes. Nos próximos pontos da lista você encontra algumas informações práticas para conseguir alcançar este objetivo.

2 – Compre de forma inteligente
Quem nunca foi ao mercado e simplesmente escolheu o que ia chamando a atenção? E depois um monte de alimentos acumulados na cozinha acabam deixados de lado, correndo o risco de apodrecer. Uma forma prática de evitar isso é parar um pouco para pensar no seu cardápio da semana. O que você pretende preparar a cada dia? Com base neste planejamento, faça sua lista e escolha seus alimentos – principalmente os perecíveis – de uma forma mais consciente.

3 – Zere o conteúdo de sua geladeira
Tenha como meta sempre utilizar tudo o que tem na sua geladeira. Acabar com todos os alimentos antes de ir às compras novamente é uma forma eficaz de combater o desperdício dentro de casa. Na dica número 6 temos algumas informações que podem te ajudar a conseguir isso.

4 – Cozinhe a quantidade certa
Esta é uma dica clássica, mas é sempre bom reforçar. Tente cozinhar a quantidade de comida adequada ao número de pessoas que irão comer. Vale pensar que quando um restinho de comida vai para o lixo não é só o alimento que está sendo jogado fora: litros e litros de água que foram utilizados na produção também acabam tendo sido gastos em vão. A quantidade de água consumida na produção de alimentos é muito maior do que a usada nas atividades domésticas como tomar banho ou lavar roupa. Mais um motivo para manter o desperdício de comida longe da sua cozinha.

5 – Use o congelador
Imagine a seguinte situação: você está seguindo a dica número 4, monitorando o conteúdo da sua geladeira, rumo ao estoque de comida zero, mas agora só sobraram vários limões em sua geladeira. Talvez esteja na hora do seu alimento ‘ir para o andar de cima’, ou seja, para o congelador. Só não vale colocar o suco de limão no freezer e nunca mais lembrar que ele existe. Fique atento, pois mesmo congelado o alimento ainda tem um prazo em que continua bom para consumo.

6 – Seja criativo com o que já tem
Como zerar a geladeira se tudo que tem dentro dela parece não fazer sentido em uma refeição? É hora de colocar a criatividade em prática e criar novas receitas, ou adaptar as que você já conhece. Existem alguns aplicativos e sites que ajudam a elaborar pratos de acordo com os alimentos que você tem disponível, como o ‘O que tenho na geladeira‘  Neste site as receitas são colaborativas, então depois de partir para a prática e começar a desenvolver seus próprios pratos, você também poderá enviar suas receitas para o banco de dados. 

A lista foi retirada da palestra de Culinária Sustentável, ministrada pelo chef Luiz Jacob. Texto desenvolvido de acordo com as informações transmitidas durante todo o Fórum Alimentação no Contexto Contemporâneo.

À mesa com o Mesa

A fila nunca fica alinhada, pois a ansiedade é grande para almoçar. A fome é apenas um dos motivos. A competição por quem vai limpar o prato deixa todos elétricos. E a comida não cai do prato na hora de se servir. Mas talvez seja a idade, todos tivemos nossos 3, 4 ou 5 anos e a felicidade de comer e dividir esse momento com os amigos é o ápice do dia. Terminou? Comeu tudo? A louça suja vai pra mesa do canto e a imaginação vai brincar lá fora.

Com a mesa arrumada e cheia de comida, as conversas começam a chegar para o lanche da tarde. São as meninas, moças, senhoras, anjos, rindo e se divertindo. Hoje tem bolo de cenoura e a fruta é mexerica. “Adoro a poncã, é mais azedinha. Lá em casa tem um pé e com a minha neta passamos horas comendo!”. E tem gente ainda pensando em pernil, até esquecendo que um dos seus pratos preferidos, o bolo com cobertura de chocolate, está na sua mão, mordido e esfarelando. A conversa se estende: o que você gosta de comer? “Eu como de tudo!”. E lá se vai a bandeja de bolo…

Apesar de o prato ser simples, o sabor, o aroma e o carinho são inebriantes. Todo mundo come rapidinho, querendo mais. A sopa de legumes para o jantar está quente, acabaram de fazer, e à medida que o pessoal chega a panela vai se esvaziando. Quem fica feliz é a cozinheira, vendo seu trabalho ser tão bem apreciado pelos garotos e garotas do asilo.  Quando percebe só sobraram os pratos vazios e os estômagos cheios. De felicidade.

“Tchau, rapazes”, despede-se uma senhora. “Olha só, ‘rapazes’, que chique!”. “Eu não sei se são velhos, novos, chamo de rapazes”. “Ah eles são novos sim, têm uns 15 anos!”

 

Fotos: Thiago Molina

Instituições visitadas para a realização desta reportagem: Creche Patronato, Casa Recomeço e Asilo Santo Antônio (São José dos Campos/SP)

Cozinhando com o Mesa Brasil

Em São José dos Campos as instituições atendidas pelo programa apresentaram suas receitas no projeto “A Receita do Mesa”

Qual é a receita do Mesa? O que faz o programa dar certo? Para isso você precisa conhecer o Mesa Brasil.

Desde 1994, o programa, que atende 42 cidades, busca combater o desperdício de alimentos e funciona como um elo entre empresas e instituições sociais. A logística é a seguinte: as equipes se dirigem aos locais de doação – supermercados, mercados municipais, feiras livres, centrais de abastecimento, padarias, confeitarias e indústrias -, recebem os alimentos, fazem a seleção e os encaminham para as instituições sociais. Ou seja, o objetivo principal é minimizar o desperdício de alimentos e a insegurança alimentar e nutricional.

Sucesso para quem recebe e para quem doa. O donativo ajuda não só quem precisa do alimento: o consumo sustentável é o mote e ainda está presente nas oficinas e palestras organizadas nas unidades. Essa educação, aliás, é a troca do Mesa Brasil com quem recebe a doação. É um ganho de alimento e conhecimento.

Pensando nessa troca, o Sesc São José dos Campos organizou a produção de 11 vídeos, nos quais a instituição atendida mostra que sabe aproveitar integralmente as frutas, legumes e verduras, e ensina a cozinhar pratos simples e, ao mesmo tempo, sofisticados. O projeto A Receita do Mesa foi apresentado no Encontro Anual do Mesa Brasil, no Sesc São José dos Campos, em dezembro de 2013.
Para cozinhar com o Mesa Brasil é só seguir os passos das cozinheiras e nutricionistas de nove instituições de São José dos Campos e Caçapava, participantes do programa. Confira abaixo as receitas:

 

Torta de Berinjela
(Casa da Criança – Caçapava/SP)
Tem berinjela em casa e não tem ideia do que fazer com ela? Essa receita da Rosilda Aires de Morais da Cruz é uma boa pedida.

 

Petit Four de Coco
(Integra/Avape – São José dos Campos/SP)
A Mariane Pereira Miacci preparou essa receita de biscoitinho que vai bem com aquele café ou um suco.

 

Bolo Nutritivo
(Integra/Avape – São José dos Campos/SP)
Na mesma instituição, o pessoal mostra que sabe aproveitar os nutrientes dos alimentos e prepara um bolo nutritivo em que a banana vai com casca e não se usa farinha.

 

Patê de Tomate
(APAE – Caçapava/SP)
Outra receita de Caçapava, esse patê vai bem com torradas, pão ou biscoito. Ótimo para um café da tarde, não?

 

Manjar de Beterraba
(Esquadrão Vida – Caçapava/SP)
No Esquadrão Vida o aproveitamento integral dos alimentos sempre aconteceu. Olha só essa receita de manjar de beterraba que a Vera Maria Marins preparou para A Receita do Mesa.

Geleia de casca de maracujá
(Lar São José – São José dos Campos/SP)
Lave bem os maracujás e corte-os ao meio. Começa fácil e termina da mesma forma. Aproveite a parte branca da casca da fruta para fazer essa geleia com o Lar São José.

 

Fricassê de pão amanhecido com espinafre
(ACEL – São José dos Campos/SP)
Com Simone Aparecida Trigo Ferreira você aprende a fazer esse Fricassê de Espinafre que ela sempre faz lá na ACEL.

 

Biscoito com Goiabada
(ACEL – São José dos Campos/SP)
O bom desse biscoito amanteigado é que podemos trocar o recheio por outro doce. Que tal?

 

Calda de Frutas
(AME – São José dos Campos/SP)
Aqui a Valdirene Santos de Oliveira dá uma dica importante: aproveite esta calda para comer com sorvete.

 

Bolo de Maçã
(Casa Recomeço – São José dos Campos/SP)
O bolo da Casa Recomeço foi preparado com as maçãs recebidas por doações e você pode fazer em casa também.

 

Arroz-doce com pera
(Coração de Maria – São José dos Campos/SP)
Gosta de arroz-doce? Então essa versão com pêra pode conquistar seu paladar facilmente.

 

Bastidores da cozinha

O trabalho da produção destas receitas foi registrado neste making of. Fique por dentro, inclusive, dos erros de gravação.

 

Aniversariante

Em 2014, o Mesa Brasil completa 20 anos, e tem muita comemoração nas 13 unidades que trabalham com o programa. Confira aqui a programação especial.

A Comida e a Identidade

Em Piracicaba, a abertura do Seminário Das Prévias aos Pratos – Cultura e Segurança Alimentar e Nutricional, ficou a cargo do professor de antropologia social da PUC/RJ, professor emérito da Universidade de Notre Dame e colunista dos jornais O Globo e O Estado de São Paulo, Roberto daMatta.

No caldeirão das discussões, daMatta trouxe reflexões sobre a identidade cultural intrínseca nos atos de comer ou se alimentar. Para o professor, o que comemos, como comemos e onde comemos diz muito sobre nossa identidade, perfil social, econômico e cultural.

Na lâmina principal da fala, está a diferença entre comida e alimento, em que a comida ultrapassa o papel de nutrir, define e retém a identidade de quem a come, prepara e ritualiza o ato. Além disso, a comida expressa sentimento.

Confira algumas fotos dos três dias do Seminário e as Comemorações dos 10 anos do programa no Sesc Piracicaba.

 

 

As famílias que alimentam o Brasil

A agricultura familiar consiste no cultivo da terra realizado por pequenos proprietários rurais, tendo como mão de obra essencialmente o núcleo familiar, integrando gestores e trabalhadores. 

Aproximadamente 85% do total de propriedades rurais do país pertencem a grupos familiares. De acordo com a Secretaria de Agricultura Familiar são 13,8 milhões de pessoas em cerca de 4,1 milhões de estabelecimentos, o que corresponde a 77% da população ocupada na agricultura. 

A agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos produzidos no Brasil. Constitui a base econômica de 90% dos municípios brasileiros e responde por 35% do PIB nacional, além de absorver 40% da população economicamente ativa do país. Entre os estados brasileiros, a agricultura familiar tem especial destaque no Paraná. Das 374 mil propriedades rurais no estado, 320 mil pertencem a agricultores familiares. 

Em dezembro de 2011, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2014 o Ano Internacional da Agricultura Familiar, reconhecendo o papel fundamental desse setor para a segurança alimentar no mundo. O Ano Internacional da Agricultura Familiar visa a destacar o perfil da agricultura familiar e dos pequenos agricultores, focalizando a atenção mundial em seu importante papel na erradicação da fome e pobreza, provisão de segurança alimentar e nutrição, melhora dos meios de subsistência, gestão dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e para o desenvolvimento sustentável, particularmente nas áreas rurais.

Desde outubro, mês em que se comemora o Dia Mundial da Alimentação (16/10), o programa Mesa Brasil no Sesc Rio Preto vem promovendo uma série de atividades que tem como tema a agricultura familiar, seus métodos de produção e benefícios para uma alimentação segura. Entre palestras, bate-papos e oficinas, a programação conta também com a exposição de uma série de imagens de agricultores familiares estabelecidos na região de São José do Rio Preto, mais precisamente nos municípios de Bady Bassitt e Promissão. 

As imagens, captadas pelo fotógrafo Jorge Etecheber, podem ser vistas até o dia 30/11, no horário de funcionamento do Sesc Rio Preto. Confira algumas delas na galeria abaixo.

Discussões na mesa!

Entre os dias 28 e 30/10, o Sesc Belenzinho recebeu o seminário ‘Alimentação Hoje – Entre Carências e Excessos’. A tarde do dia 28/10 começou com a palestra de José Esquinas Alcázar, ‘Desafios e novas perspectivas para a soberania alimentar’, seguida do debate “Alimento e Ciência – Demadas Sociais e Limites Éticos”

Um senhor com a voz rouca e possante fez a sua fala sem a ajuda de slides, incumbindo-se da função de, no discurso, arrematar a atenção dos presentes – pós almoço, uma tarefa demasiado difícil, convenhamos.

Para além das dificuldades fisiológicas, havia ainda o problema do idioma: José Esquinas Alcázar é espanhol e, por onde olhasse no teatro do Sesc Belenzinho, via uma multidão atenta, firme no fone de ouvido. A figura de Alcázar era dotada de um magnetismo tal que, ao final de sua fala sobre “Desafios e novas perspectivas para a soberania alimentar”, o público aplaudiu de pé.

Não era por menos. Aquele senhor de fala severa mandou uma anedota que lhe foi contada quando pequeno para ilustrar como vê o mundo hoje. “Um comissário de bordo transfere um recado aos passageiros de um avião: – Caros, o piloto está inconsciente, mas não se preocupem! A aeronave está numa velocidade excelente!“. O público riu, mas foi severamente repreendido com a emenda de Alcázar, “Velocidade pra onde? Pra quê?”.

Num mundo em que se especula com os preços dos alimentos até o último instante perecível, as coisas parecem estar um bocado erradas. Como no caso do Benim, país da parte ocidental da África, cuja produção agrícola era focada na subsistência até que a cultura do algodão entrou no país municiada pelos ditames do mercado internacional. Pequenos produtores venderam suas terras e começaram a trabalhar em grandes fazendas de algodão. Começaram a ganhar melhor, porém em 2012, com a crise de preços dos alimentos, esses pequenos produtores se viram gastando 80% do seu salário em comida! Benim perdia assim não só a soberania alimentar. Tinha, enfim, a soberania nacional subjugada.

É estarrecedor pensar que o ser humano plantava 8 mil cultivos distintos sobre a terra e, hoje, são apenas 100. O trigo, a batata, o arroz e a soja contribuem com 65% da produção total – abdicou-se de outros cultivos em nome de um mercado crescente que tolhe os nutrientes do solo e sua produtividade.

“Ninguém está disposto a investir na diversificação de culturas, ninguém está disposto a investir para dar de comer aos pobres. A especulação com os preços dos alimentos é um crime contra a humanidade cometido sistematicamente desde 2008 – é necessário regulação! Sobre o mercado, sobre o direito à alimentação – não pode ser voluntário! Deve ser obrigatório.“

Depois de mandar essa paulada, José Esquinas Alcázar terminou retomando a fala sobre os rumos da humanidade. “É necessário pensar a partir de um trinômio: Recursos Naturais – Tecnologia – Ética. Existe a necessidade de democratizar os processos agrícolas. Estão a serviço de quem (ou de quê), os recursos naturais, a tecnologia e a ética? É preciso uma governança mundial que mire no desenvolvimento daquilo que está na declaração universal dos direitos humanos – direito ao alimentos incluso!”

E finalizou, para o aplauso da plateia, com um chamado sobre o consumo. “O poder dos consumidores é enorme. Vivemos numa sociedade voltada para o consumo! Consumir é um ato político. Se todos os consumidores se unirem, seu poder seria mais forte que os partidos políticos. Se 5 ou 6 pessoas pensam que uma utopia é possível, deixa de ser uma utopia, torna-se uma possibilidade.”

Mais tarde, o debate “Alimento e Ciência – Demadas Sociais e Limites Éticos”, reuniu Jeffrey M. Smith, Diretor executivo do Institute of Responsible Technology, Julicristie M. de Oliveira, Professora da Faculdade de Ciências Aplicadas na Unicamp e Lourdes Maria Corrêa Cabral, Chefe Geral da Embrapa Agroindústria de Alimentos.

A ordem do dia colocava os OGMs – organismos geneticamente modificados – em pauta. A fala de Jeffrey Smith evidenciava quão potente é a indústria alimentícia e seus lobbys por conseguirem comercializar alimentos geneticamente modificados, bem como evitar a rotulação devida, alertando a população sobre o conteúdo dos alimentos processados, principais fontes de OGMs no mercado.

Para se ter uma ideia, os OGMs foram expulsos da Europa por conta de pressão de mercado, quando a população alertada sobre os problemas desse tipo de alimento deixou de comprá-los – a Comissão Europeia de Alimentação se absteve de vetar alimentos com OGMs. E, a lista de problemas advindos do consumo de geneticamente modificados é extensa: de doenças vasculares, gástricas, Alzheimer, diabetes, até câncer no fígado, nos rins e leucemia.

Julicristie apontou que o cenário brasileiro demanda atenção, uma vez que a comissão técnica de biossegurança tem aprovado sistematicamente todas as demandas do mercado de transgênicos. Trata-se, para ela, de politizar o debate sobre o alimento, visto que o agronegócio não é voltado para soberania alimentar, mas sim para a venda de commodities para o mercado externo.

Como a ANVISA é apenas um órgão regulamentador, é preciso pressão popular no sentido de haver políticas públicas que informem o consumidor de que ele está consumindo transgênicos. A professora foi enfática ao dizer que o argumento de aumento da produção e saciedade da fome, provenientes dos campos da alimentação e nutrição, é falso.

Lourdes Corrêa problematizou o uso da tecnologia como instrumento para ampliar a discussão em torno do alimento e da cadeia de valor construída no seu entorno. Para ela, ainda não possuímos conhecimento suficiente para produção de alimentos orgânicos no Brasil em larga escala. “De que adianta produzir orgânicos e colocar numa caixa de poliuretano que vai demorar 150 anos pra ser degradada pelo meio ambiente. É papel da Embrapa pesquisar formas de fazer isso acontecer”.

Segundo dia do Seminário Internacional Alimentação Hoje!

Quais são as questões de poder por trás do que comemos? O segundo dia do Seminário Internacional Alimentação Hoje – Entre Carências e Excessos, realizado no Sesc Belenzinho, refletiu bastante sobre este aspecto

Foi impressionante acompanhar as exposições das mesas e entender que a indústria alimentícia entra muito mais na nossa vida do que apenas a mesa da nossa casa ou o carrinho da feira e supermercado. A globalização está nos alimentos, com os mercados para processados saturados no norte, movendo-se ao sul, e isso tem diversas implicações: das doenças modernas como a obesidade às formas de lidar com consumo e publicidade infantil – e tudo foi pauta de discussão no Belenzinho no dia 29/out.

Na primeira atividade, um painel sobre “Obesidade e desnutrição: o impacto das decisões políticas e econômicas nos hábitos alimentares”, Enrique Jacoby, representante da Organização Panamerica de Saúde em Washington, Fransciso Menezes, pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas e Patrícia Gentil, coordenadora do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, trouxeram importantes considerações sobre o tema.

A primeira, que pode nortear todo o relato é a seguinte: precisamos decidir se o alimento é um direito ou uma mercadoria. Tratado enquanto mercadoria, vê-se enormes áreas preparadas para o cultivo de uma cultura, encarando assim o alimento como commodity, com valor negociável na bolsa de valores – para se ter uma ideia, já especulam com a safra do milho de 2040 na bolsa de Chicago. 2040!

Do interesse de grandes conglomerados que tratam não só de alimentos, mas também de combustíveis, ração para animais e, principalmente, ingredientes para alimentos processados – estes desenhados para viciar e não para saciar a fome. Você sabe que é difícil parar de comer um pacote de salgadinhos antes de ver o fundo dele e sujar o seu rosto com todo aquele farelo transgênico.

Outro apontamento interessante vai nas verbas para a publicidade dos alimentos processados. Em 2013, foram 40 bilhões de dólares! “Vamos ganhar essa guerra só com comunicação e educação? Sem mexer na publicidade? Pouco provável… É preciso regular a publicidade e a rotulagem dos alimentos!”, ponderou um cético Jacoby.

Pegando o gancho da publicidade, à tarde, Ana Paula Bortoletto, pesquisadora do Instituto de Defesa do Consumidor – IDEC; Ekaterine Karageorgiadis, advogada nos projetos Criança e Consumo e Prioridade Absoluta do Instituto Alana; Helena Jacob, doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, fizeram seus apontamentos sobre “Publicidade e Consumo na Alimentação”.

A polêmica maior, tratada durante a mesa, partiu da parca comunicação que os fabricantes de alimentos mantém com os consumidores. Os componentes dos alimentos descritos nas embalagens não fazem jus ao que chega às pessoas – Bortoletto mostrou um vídeo bem ilustrativo sobre a questão.

Ainda sobre o tema, Ana Paula citou uma iniciativa da Food Standards Agency Boar, do Reino Unido, em simplificar os conteúdos nutricionais dos rótulos dos alimentos através da implementação de um semáforo – em linhas gerais, verde bom para consumo, amarelo consumo moderado, vermelho riscos à saúde ao se consumir. A adesão a esse semáforo é voluntária, porém, por pressão popular, grande parte dos fabricantes estão aderindo – até, vejam só, a Coca Cola.

De olho nisso, o IDEC preparou uma carta à Coca Cola, questionando por que não assumir a mesma conduta no Brasil? Ao que a empresa respondeu que já atua em confluência com a legislação brasileira – que é deveras flexível com os fabricantes, como o vídeo do IDEC aponta – e já realiza outras ações de educação alimentar no país – bacana, não?

A fabricante de refrigerantes também serviu para Helena Jacob falar sobre a comunicação mercadológica envolvendo os alimentos. Ela aponta que o marketing mudou a abordagem de “persuasão” para “sedução”, numa tentativa muito mais orgânica de aproximação. “A Coca Cola tem uma força acima do bem e do mal, algo quase como um herói de quadrinho, a ponto de inventar o Papai Noel e ocupar um espaço de família feliz no imaginário das pessoas, destronando o que era a família de comercial de margarina nos anos 90”.

O problema maior é que essa mensagem é direcionada, por vezes e não só pela marca em questão, às crianças. Ekaterine Karageorgiadis pontua que é possível que as crianças desta geração e das vindouras se lembrem mais dos brindes que vinham junto de determinados alimentos do que da comida da vó, como estamos acostumados.

Ela aproveitou para lembrar que “toda publicidade para criança é abusiva. O direito da criança é prioridade absoluta, garantido por constituição. É abusiva a publicidade que se utiliza da deficiência de julgamento e experiência da criança – e isso está no código de defesa do consumidor. É preciso mudar o foco da mensagem da publicidade infantil para o adulto e que ele decida o que entra em casa ou não. E que as embalagens sejam claras no que está sendo vendido ali dentro!”

A mesa terminou com um ponto curioso, sinistro e, agora, óbvio, levantado por Jacob: paramos de cozinhar por conta de conveniência e tempo escasso. “Sabe quando aquela mãe, munida de informação sobre os malefícios dos alimentos processados vai desistir de comprar um bolo pronto para comprar os ingredientes e fazer um bolo para os filhos? Quando uma personagem da novela das 9 fizer o mesmo! Isto teria um impacto muito maior que N campanhas que possamos fazer no futuro. Todavia, isso não vai pra TV aberta pois fere o interesse dos anunciantes da novela”.

Depois da atualização sobre a publicidade e consumo na alimentação, a “Identidade à mesa – Aspectos Culturais do Alimento” entrou em pauta com a presença de Bela Gil, apresentadora de TV e chef de Cozinha Natural, Joana Pellerano, coordenadora e docente do curso de especialização Gastronomia: História e Cultura do Senac-SP e Mara Salles, chef e proprietária do restaurante Tordesilhas.

Para além da discussão sobre o que seria a culinária brasileira, Mara veio com um olhar sobre o modo como a gente come: misturado. Não se come em etapas como os franceses. Colocamos o arroz, o feijão, a farinha de mandioca e a carne, seja ela de panela, serenada, fresca, de fumeiro, de sol – enfim, a bendita carne faz parte do jeito de comer do brasileiro.

O curioso – e sabido – é que a única unanimidade nacional é a combinação do arroz e feijão. Quando se fala em culinária brasileira, é possível tomar dois caminhos: legibilidade e legitimidade. Comidas tipicamente brasileiras podem não ser legitimamente do país – vide o próprio arroz e feijão. Ao passo que, pratos criados aqui, com ingredientes provenientes daqui, como o tacacá, podem, perfeitamente, não ter uma leitura, uma identificação com a totalidade do Brasilzão.

Por fim, considerações de Pellerano sobre comida e cultura. “Uma coisa meio posta, é que comida é cultura. E isso é tão dado que a gente esquece por que comida é cultura. Roberto da Matta diz que alimento é o que eu posso comer e comida é o que efetivamente vou comer. A gente aprende com a nossa família, com a escola, com os meios de comunicação o que é comida – e isso é compartilhado com o grupo social. Este grupo faz escolhas e associa significados ao modo de fazer e preparar o alimento que deixa à mostra um código e reforça para os indivíduos do grupo uma identidade compartilhada. Conviver com outros povos, outros costumes, desafia esse código, arejando a tradição e tornando possível criar novas possibilidades e arranjos para a cultura, para a comida’.

Educação Para Comer em Pauta

No último dia do Seminário Internacional Alimentação Hoje – Entre Carências e Excessos, no Sesc Belenzinho, Elisabetta Recine e Sophie Deram fizeram palestra sobre os desafios de educação para a segurança alimentar e nutricional 

A palestra “Educação para Comer?” foi conduzida por Elisabetta Recine, coordenadora do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição, e por Sophie Deram, nutricionista no Ambulatório de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas e no Ambulatório de Transtornos Alimentares da Faculdade de Medicina – USP.

Elisabetta focou nos porquês de se desenvolver uma política em torno da Segurança Alimentar e Nutricional. Para ela, o grande objetivo de uma política deste quilate é se realizar, praticamente, na relação de um profissional com um sujeito. Comer, hoje, possui uma estrutura tão complexa, que nos afastou da alimentação – temos muito pouco ou quase nenhum controle sobre os processos que trazem o alimento à nossa mesa.

“O que é produzido? Como é produzido? Como chega à nossa mesa?”. Isso tudo se trata de questão importante para soberania alimentar. A autonomia de escolha deve ser reforçada através de um modelo de sistema alimentar circular e não linear, como acontece hoje na grande maioria das cidades.

Voltar a cozinhar é extremamente necessário para reestabelecer a proximidade do homem com o alimento, abrindo caminho para a educação alimentar e nutricional.

A fala de Elisabetta também apontou a importância de se redistribuir o trabalho doméstico. A partir do momento em que a mulher se insere de uma forma diferente no mercado de trabalho e não há uma redistribuição do trabalho doméstico, quem sofre é a ponta do processo de alimentação, ou seja, quem consome o alimento convenientemente processado para salvar tempo na rotina alucinante da casa.

É importante a mobilização das pessoas no sentido de pressionar o poder público para regular as dinâmicas da alimentação – algo um tanto próximo do trabalho do IDEC e do Instituto Alana no que diz respeito ao olhar para a rotulagem dos produtos e para a publicidade na alimentação, pontuadas no dia 29/10.

Para Elisabetta, uma política pública voltada para a segurança alimentar e nutricional deve atuar nos determinantes estruturais do sistema alimentar: o que está disponível (físico), custo (econômico), regras/regulação (político), valores e atitudes(sócio-culturais).

Olhar além das questões de consumo e escolha, mostrando o que está por trás do alimento. Isso propicia autonomia, gerando práticas críticas em relação à alimentação. As pessoas precisam ser curiosas sobre isso, precisam entender o que vem acoplado às conveniências da alimentação nestes dias.

A consciência sobre alimentação permeou a fala de Sophie Deram, principalmente nos termos de se olhar criticamente para o sobrepeso e a obesidade.

Foi curioso olhar para a definição de saúde da OMS e constatar que não há menção ao peso – “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”. Para Sophie, estamos aterrorizando adultos e crianças com a balança e não se trata de combater o sobrepeso, uma vez que “combate” é uma palavra muito forte. Trata-se de equilibrar peso.

Para tanto, Sophie foi enfática “Diga não à dieta. Coma alimentos verdadeiros. Cozinhe!”. Fazer dieta desregula seu cérebro e omite outros fatores que têm a ver com o peso, uma vez que este não é só consequência do que você come, ou só da qualidade da comida que se come, mas sim de uma cadeia mais complexa que ingestão e gasto de energia. Tem a ver com seu estilo de vida, seu meio ambiente, seus humores, o estresse cotidiano – enfim, um balanço entre dieta e saciedade.

Na parte da tarde, ainda houve oficinas e visita ao Mesa Brasil nas unidades de Itaquera e Carmo do Sesc em São Paulo. Ao final, a sensação de que a alimentação é, ao mesmo tempo, flagelo e recompensa, e que um entendimento maior sobre as escolhas políticas de toda a cadeia que existe entre você e o seu alimento implicam num dos dilemas mais instigantes e antigos da humanidade. Buscar informações sobre sua dieta e reconstruir uma relação de proximidade com o fazer do seu alimento é mais que necessário. É urgente.