Conhecimento é pra fazer crescer

Conhecimento é igual fermento. Isolado, ele fica lá no seu cantinho sem deixar trasparecer todo seu potencial pra quem não o conhece. É misturado na massa que ele cresce, faz crescer e mostra todo seu valor. Neste ano, as ações educativas do Mesa Brasil Sesc Campinas encontraram dentro do próprio programa suas formas de fazer transbordar. Cozinheiros das organizações sociais antedidas foram convidados a conduzir um encontro de fomação para os colegas de outras instiuições. Foi a primeira edição do projeto Intercâmbio, que buscou integrar e valorizar os profissionais das cozinhas além de promover a troca de saberes.

O último dos quatro encontros especiais foi ministrado pelo cozinheiro Rogério Santos, que já atuou em restaurantes e há dois anos comanda a cozinha do PROGEN – Projeto Gente Nova, na unidade da Vila Castelo Branco, em Campinas.

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A história de Rogério na cozinha começou cedo. Com 13 anos de idade, deixou os estudos de lado e começou a trabalhar como ajudante em um restaurante. Curioso, enquanto lavava a louça, esticava o olhar para que sua visão alcançasse o manejo dos ingredientes e, aos poucos, construia a vontadade de aprender aquele ofício. Com o passar do tempo, o cozinheiro do restaurante percebeu o interesse do menino e o trouxe para perto, ensinando o bê-a-bá da cozinha. Aos 16 anos, veio o primeiro registro profissional como cozinheiro. Enquanto desenvolvia sua técnica na prática, o estudo formal continuava sendo deixado de lado em sua vida. Já adulto e com muitos anos de estrada, sentiu a necessidade de voltar para a escola. Aos 36 terminou o ensino médio e não parou por aí: com uma concorrida bolsa de estudos graduou-se em gastronomia.

No projeto Intercâmbio, veio a oportunidade de dividir um pouco dos conhecimentos acumulados nesta trajetória. Na atividade, o cozinheiro foi desafiado a ensinar passo a passo uma receita criativa, tendo como ingrediente principal um item sempre entregue nas doações do programa. A preparação escolhida por Rogério foi o Banoffe, uma torta de banana com doce de leite que deixou todo mundo com água na boca. Além de trabalhar com ingredientes acessíveis, as receitas também deviam estar de acordo com a estrutura das cozinhas das instituições.

Rogério, que ficou tantos anos afastado do estudo, assumiu pela primeira vez o posto de professor. “No começo eu fiquei meio apreensivo, mas deu tudo certo”. E o fato de estar entre colegas de atuação também deixou o encontro mais próximo: “Do que adiantaria chamar um chef de cozinha de renome sendo que ele poderia não ter o mesmo conhecimento que nós cozinheiros de instituições temos. Então a gente trabalhou com uma realidade que a gente tem no local de trabalho.”

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Propor uma oficina foi uma nova forma de incentivar a inventividade dentro das instituições, assim como as doações que sempre estimulam os cozinheiro a saírem do básico com a chegada de novos ingredientes: “Se vai bastante melão, você tem que usar a sua criatividade, um dia como fruta, outro dia bate suco, outro dia faz uma calda pra fazer um doce e assim por diante. É prazeroso por que a gente acaba ganhando cada dia mais conhecimento da cozinha, por que a cozinha a gente não pode ficar naquele arroz feijão, a gente pode variar, a gente pode criar”.

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Pra não desperdiçar é preciso respeitar

Que as doações do Mesa Brasil proporcionam refeições mais completas muita gente já sabe. Um detalhe que às vezes escapa é a contribuição das cozinheiras que trabalham na instituições sociais atendidas. As merendeiras, ou tias da cozinha, como alguns de nós preferíamos chamar na época da escola, fazem parte das memórias de infância de quase todo mundo.  Se às vezes falta comida em casa, estas profissionais são as responsáveis por alimentar e ensinar pelo exemplo que as panelas são capazes de prover muito mais do que refeições. 

Na hora de evitar o desperdício, a criatividade de quem cozinha faz toda a diferença para que as alimentos sejam aproveitados da melhor forma possível. Pensando em valorizar este trabalho fundamental, a equipe do Mesa Brasil do Sesc Bauru publica todos os anos um livro de receitas com criações das cozinheiras de instituições que são atendidas pelo programa na região.

Desta vez, o projeto foi reformulado e ganhou o nome de LAB de Receitas. As cozinheiras foram convidadas a criar preparos inéditos e inusitados em um formato competitivo, com avaliação de jurados convidades para a ação. As receitas serão publicadas em um livro especial, que será lançado no encontro anual do programa.

Um dos momentos mais aguardados do projeto foi a participação da chef de cozinha Paola Carosella, que dividiu suas experiências no trabalho com aproveitamento integral de alimentos em seus restaurantes.

Paola é prova de que as cozinheiras de escola podem influenciar muito na formação das crianças. Uma das pessoas que ajudaram a despertar seu interesse pela cozinha foi a merendeira da escola em que estudou na infância. “Eu amava a Dona Noemi. Eu visitava ela todos os dias, ia perguntar o cardápio logo cedo, queria saber o que ela cozinhava. Comecei a honrar o trabalho dela e a parabenizar a comida”, relembra.

O carinho pela mulher que cozinhava para um batalhão todos os dias era tanto que Paola e mais duas amigas passaram ser convidadas para comer o cardápio preparado para os alunos na mesa da casa da Noemi. Uma lembrança que ficou guardada para sempre e que foi o primeiro assunto no encontro com as cozinheiras. 

Certamente, muitas das cozinheiras das instituições podem vir a ocupar este papel na história de alguém. Talvez até já tenham feito, pelo longo tempo que muitas delas dedicam ao ofício. Helena Jardim é uma dessas pessoas. Ela trabalha há duas décadas na Legião Mirim de Bauru e, além de cozinhar, é monitora nas aulas de doces e salgados na instituição. “Eu adoro trabalhar com os meninos, fazer comida, ouvir eles falando: que delícia… nossa, como que você fez isso… Pra mim é muito prazeroso”, conta. 

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Helena Jardim foi uma das finalistas do LAB de Receitas.

Com a experiência, a criatividade e a vontade de aproveitar ao máximo cada doação, Helena é autora de receitas que estão em vários dos livros editados pelo Sesc Bauru. Na mais nova edição não foi diferente. Ela foi selecionada com a receita de fatia húngara de avocado, uma fruta que sempre faz parte das doações na região.

Os ingredientes doados por meio do Mesa também são uma oportunidade para que as cozinheiras libertem a imaginação, usando ingredientes que não fazem parte do dia a dia da instituição. Helena gosta muito de testar novas receitas e de replicar as melhores no cardápio das crianças: “Eu acho que muita gente se inspira ali. Quando eu invento alguma e todo mundo gosta é a melhor coisa que tem. E aí eu tô há 22 anos fazendo isso e agradeço muito o Mesa Brasil pelo que eles fazem pelos meninos”

Paola diz ser uma péssima agricultora, mas o fato de suas experiências em manejar a terra não serem as mais vitoriosas, não a impede de cultivar um respeito enorme pelos ingredientes e pelas pessoas que estão por trás do cada beterraba que chega à sua cozinha.

Há algum tempo, quem fornece as frutas, legumes e verduras usados em seu restaurante são os agricultores da Cooperapas, uma associação de produtores familiares localizada na Zona Sul da cidade de São Paulo. Segundo ela, esse contato próximo faz toda a diferença na hora de trabalhar com o alimento e, consequentemente, na conscientização do valor que cada ingrediente tem por inteiro.

“Um restaurante gera muito mais desperdício do que o volume de comida que ele produz. O desperdício tende a ser ainda maior se o chef de cozinha não tem um foco em querer que isso não aconteça”. Paola anda na contramão dos cozinheiros que valorizam mais a estética do que o ingrediente em si:  “Pra mim nunca fez muito sentido escolher pra por no prato alguma coisa só por que ela é bonita, se eu não souber o que fazer com o resto”.

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Paola dividiu a fala com a Neide Rigo, que se dedica a divulgar as Plantas Alimentícias Não-Convencinais. 
Foto: Paulo Orlando

Em seu restaurante, o cuidado em aproveitar o alimento como um todo é uma prioridade. A organização na hora de receber e pré-preparar os ingredientes é fundamental para garantir que o mínimo possível se perca na cozinha. Os dias de recebimento dos legumes e verduras são dedicados a avaliar as condições de cada parte do alimento recebido. São separadas as folhas que estão melhores para refogar, para fazer suco ou para servir como salada. Os talos de beterraba, por exemplo, são destinados à preparação de picles. E mesmo as folhas de cenoura que já estão mais duras não são desperdiçadas. Elas servem como apoio para a taça em que é servida uma das sobremesas da casa.

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Foto: Paulo Orlando

São detalhes que refletem o respeito pelo alimento, coisa que se perde em um contexto de tanta abundância, como o que vivemos hoje. “Temos muita dificuldade de olhar pra algo tão simples e reconhecer o valor que tem quando estamos rodeados de tanta pilha de alimento que se joga fora e também por que estamos acostumados a ver nos mercados as coisas já sem talos e empilhadas nas bandejas de isopor”.

Neste sentido, a função educativa do Mesa Brasil ultrapassa as oficinas formativas. Além de proporcioar um destino nobre a alimentos que seriam jogados fora, as coletas e doações tem a função de fazer olhar para o desperdício e, quem sabe, colaborar para que esta relação com o alimento seja mas próxima, respeitosa e consciente.

 

O que é bom tá na casca!

Quando eu era criança, minha família era pobre. Não que hoje não seja, mas naquele tempo éramos muito pobres mesmo. Essa informação é importante, pois eram outros tempos. Falo do início da “redemocratização”, período logo após a ditadura militar, que deixou o país em frangalhos. Talvez pra meus pais, como para muitas daquelas pessoas, a ditadura aparentemente nem existiu. Enquanto o centro, as elites e a classe média lutavam pela liberdade, as pessoas da periferia lutavam pela sobrevivência. A informação não chegava, mas os efeitos oriundos dela todo mundo sentia: altas taxas de desemprego, país em recessão, desigualdade social ao extremo, hiperinflação…Falando assim parece que estou descrevendo um cenário de ficção, né? Infelizmente não. Naquele tempo os preços dos produtos eram remarcados a todo momento. Tenho uma lembrança de ver as máquinas de remarcação de preços nas mãos dos funcionários dos supermercados. O tec tec que ela fazia era uma sinfonia que eu achava mágico. Queria ter uma daquelas em casa. Ôh. criança inocente! Mal sabia eu que a cada nota tocada por aquele instrumento era um verdadeiro fuzilamento no coração dos adultos que ali estavam.

Morávamos na periferia da periferia da cidade. Era bem distante de tudo, diante da qualidade dos transportes e da velocidade dos veículos da época. Tudo girava em torno do centro e quanto menos dinheiro se tinha, mais pra periferia, pra borda, pra casca você morava. Meu pai trabalhava o dia todo e o dinheiro não aguentava os 30 dias do mês. Algumas vezes chegou a faltar a ‘mistura’ em casa (só tinha arroz e o caldo do feijão) e minha mãe saía pra pegar os talos do pé de chuchu que caíam pra fora do muro de um terreno no bairro. Não tinha chuchu, eram somente os talos. Eu e meu irmão acompanhávamos e ajudávamos ela a colher. Pra mim aquilo era uma brincadeira. Pra ela esse período trouxe pequenos traumas que nenhum psicólogo seria capaz de resolver. Eu não sabia que aquilo fazia parte da refeição do dia. Era criança e pra mim quanto menos comida melhor. Ôh inocência! (risos). Com criatividade e com aqueles talos ela fazia um belo refogado que alimentava a esperança de um futuro melhor.

Meu pai, um dos muitos retirantes do êxodo nordestino, veio pra São Paulo no auge da industrialização no Brasil e trazia consigo memórias e a experiência do trabalho com a terra e o conhecimento que não aprendeu em nenhuma escola. A sua relação com o plantio era muito forte. Tinha habilidades que aprendera com meu avô, habilidades que eu só fui conhecer depois que nos mudamos para uma casa com um terreno grande. Um desses conhecimentos estava na compreensão de que a casca também é importante para a alimentação e é nela que estão grande parte dos nutrientes. Naquele tempo o ato de descascar os alimentos era visto como uma questão de higiene e muitas pessoas faziam isso descartando todo tipo de casca, inclusive a da batata para cozimento ou fritura. Tinha gente que descascava a maçã, e isso parecia chique. Lembro claramente das palavras de meu pai “Não precisa descascar a batata. É só lavar bem!”, “Pode comer a casca da maçã. É nela que estão as vitaminas. O que é bom tá na casca!”. Pra você ver como a conversa e a troca de conhecimentos entre adultos e crianças é importante: essas palavras ele me falou quando eu era um garotinho de 5 anos de idade. Ouvi aquilo e jamais esqueci.

Dessa forma aprendi que é importante prestar atenção àquilo que é descartado. Como um grande poeta disse uma vez “A revolução virá da periferia”, mas ninguém deu bola. Quem sabe agora? Pois é ali que estão os grandes nutrientes: na periferia, na borda, na casca. E assim cresci num mundo em que a batata sempre foi rústica, o suco do abacaxi sempre foi preparado com a casca e as minhas maçãs e goiabas nunca foram descascadas. Naquele tempo meus pais não sabiam da existência de termos como PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) nem nada disso. Não havia internet (nem TV nós tínhamos nessa época) e mesmo assim o conhecimento se propagava e se retransmitia. Era através do instinto que meus pais aprendiam. Os tempos mudaram, hoje a informação chega mais rápido e é aqui, através da internet que retransmito as dicas de como aproveitar integralmente os alimentos, passadas pela Beatriz Carvalho e pelo Arthur Rodrigues, do ‘Mato no Prato’. Como eles mesmos disseram ‘Aproveitar integralmente os alimentos é muito mais que usar a casca! É comer o pé todo! (risos)’.

Por Ronaldo Domingues, Editor web do Sesc Campo Limpo


‘Refogado de mamão verde’ e ‘Caponata de coração de bananeira’. Foto: Renata Teixeira

YES, NÓS TEMOS BANANAS!
Apesar de não ser originária do Brasil, a bananeira se adaptou ao nosso solo e clima tropical e está por toda a parte desse nosso Brasilzão. Além de comer a fruta, a casca também pode ser usada na preparação de bolos; a folha da bananeira pode ser utilizada para embrulhar e assar peixes e carnes, substituindo o papel alumínio ( que em altas temperaturas pode soltar o alumínio para os alimentos – É importante lembrar que a folha da bananeira também não pode ter pesticidas para não passar para os alimentos); o miolo do tronco também é comestível e se bem preparado se assemelha ao palmito Jussara; e até o coração (ou umbigo) da bananeira é comestível e rende uma bela Caponata.

CAPONATA DE UMBIGO (OU CORAÇÃO) DE BANANEIRA

Ingredientes
– 1 umbigo de bananeira grande
– 1 cebola
– 3 dentes de alho picados
– 1 pimentão vermelho
– 1 pimentão amarelo
– 100g de uva-passa
– 100g de azeitonas verdes fatiadas
– 1/3  de maço de salsinha picada
– Suco de 1 limão
– Pimenta síria
– Sal e azeite a gosto

Modo de Preparo
Coloque água com o suco de 1 limão em um recipiente grande. Conforme for despetalando as partes marrons do umbigo da bananeira vá colocando as flores e partes mais claras ( mais macias) na água com limão para não escurecer. Pique o coração da bananeira em pedacos bem pequenos (como na foto). Aqueça uma panela com água e ferva toda a porção comestível do coração por 15 minutos.
Repita o processo de fervura 3 vezes, sempre descartando a água. (*Esse processo é importante para tirar o amargor). Escorra o umbigo e adicione o sal, o azeite, o alho e a pimenta síria enquanto ainda estiver quente para pegar bem o tempero. Adicione os demais ingredientes e misture bem. Sirva quente ou frio.

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MAMOEIRO
O mamão geralmente é consumido com o fruto maduro. Muita gente come de manhã, com mel e aveia, mas nem todo mundo sabe que também é possível consumí-lo verde; as sementes, depois de secas, podem ser moídas, substituindo a pimenta do reino; e até o caule (ou a medula do caule) do mamoeiro é comestível. Vale ressaltar que não é para sair arrancando os mamoeiros por aí. Esta última opção é uma das utilizações caso o mamoeiro esteja improdutivo ou se você precisar remanejar o espaço de uma plantação.

REFOGADO DE MAMÃO VERDE

Ingredientes
– 1 mamão verde
– 1 cebola
– 3 dentes de alho
– Cúrcuma
– Pimenta do reino
– Sal e azeite a gosto

Modo de Preparo
Faça sulcos não muito profundos na casca do mamão verde e deixe descansar por 20 minutos para escorrer o “leite”(tome cuidado com o líquido, mancha as roupas e irrita a pele). Descasque o mamão e corte na metade. Retire as sementes e rale. Refogue a cebola e o alho com sal, azeite, cúrcuma e a pimenta. Acrescente o mamão e deixe refogar por cerca de 5 minutos.

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É  DO BRASIL
A Jabuticaba, essa fruta nativa do Brasil é mais um dos alimentos que pode ser consumido por completo! É difícil encontrar alguém que não goste dessa maravilha da natureza. A fruta é consumida in natura e também em sucos. Uma dica legal é fazer o suco somente com a polpa e utilizar a casca para fazer um belo doce de casca de jabuticaba. Fica parecido com uma compota, com uma ameixa em calda.

DOCE DE CASCA DE JABUTICABA

Ingredientes
– Jabuticaba
– Água
– Açúcar

Modo de Preparo
Esprema as jabuticabas para tirar os caroços e a polpa (faça suco com a polpa). Coloque somente as cascas numa panela e cubra com água. Ferva por alguns minutos para tirar o amargor. Tire a panela do fogo e escorra a água. Volte a panela ao fogo, com água e açúcar. Ferva até dar o ponto de calda.

 

Global FoodBanking Network visita Mesa Brasil

O mês de agosto foi marcado pela troca de experiências entre as equipes do Mesa Brasil Sesc São Paulo e a organização internacional The Global FoodBanking Network. Uma comitiva da GFN –  que reuniu a presidente Lisa Moon, o diretor de serviço de campo Craig Nemitz, a assistente executiva e coordenadora de serviços de campo Gabriela Reno e a líder latino-americana Ana Catalina Suarez Peña – acompanhou de perto a ação do Mesa Brasil no estado, visitando algumas das bases de operação do programa.

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GFN em reunião com o o Diretor Regional do Sesc, Danilo Santos de Miranda.
Foto: Matheus José Maria

A Global FoodBanking Network é uma organização internacional sem fins lucrativos que trabalha em prol de um futuro sem fome em mais de 30 países, criando, sustentando e fortalecendo bancos de alimentos ao redor do mundo.

“Nós perdemos aproximadamente um terço de toda a comida que nós produzimos. E os bancos de alimentos são uma solução única para capturar essa comida que seria perdida e transferir para aqueles que passam fome”, defende Lisa Moon, falando sobre a função estratégica que os bancos de alimentos têm no combate à fome e ao desperdício.

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Conhecendo o Centro de Captação e Armazenamento (CECAM)
Foto: Mariana Krauss

O Mesa Brasil é filiado ao Global FoodBanking Network desde 2013. Os bancos de alimentos reconhecidos pela organização devem cumprir rígidos padrões de gestão e de transparência em sua atuação. Estas exigências para a certificação visam formar uma rede confiável de parceiros que coletam e distribuem alimentos, uma vez que a GFN trabalha também como um mediadora entre organizações sociais e grandes empresas multinacionais, fornecendo informações para que estes parceiros possam realizar suas doações de maneira segura. Hoje, a GFN tem entre seus aliados multinacionais empresas de atuação global que tem base, principalmente, nos Estados Unidos e na Europa.

“Nós na Global FoodBanking ficamos muito felizes por podermos apresentar estes que trabalham em nível multinacional para nossos parceiros. É daí que a força da parceria vem”, afirma Lisa.

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Comitiva desceu a serra para visitar o doador Franzese Pescados, que atua no Guarujá – SP
Foto: Angelita Borges

E, para o Mesa Brasil, o estreitamento desta cooperação potencializa as possiblidades de ação do programa, dando também uma visibilidade que ultrapassa fronteiras e pode colaborar com o desenvolvimento de iniciativas realizadas em outros países, uma vez que a GFN também compartilha modelos de sucesso acompanhados mundo afora para fortalecer o trabalho dos bancos de alimentos que necessitam deste tipo de suporte.

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A GFN visitou a instituição Creche Lar Escola Irmã Shceilla, em Santos – SP
Foto: Angelita Borges

 “É uma chancela internacional importantíssima, como o próprio nome da instituição já diz, eles são responsáveis por conectar essas grandes iniciativas de bancos de alimentos no mundo com esses grandes doadores. Então, quando a gente vai captar uma nova parceria, vai sensibilizar novos atores a se engajar na nossa causa, levar essa chancela de que o programa é parceiro do GFN é muito importante, por que aumenta ainda mais a credibilidade que o Sesc e o Programa Mesa Brasil Sesc já tem no cenário nacional”, comenta René Lopo Neto, assessor técnico do programa Mesa Brasil no Departamento Nacional do Sesc.

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Lisa Moon durante a coleta no doador D’Avó Supermercados, na região de atuação do Sesc Itaquera.
Foto: Thaís Fero

Após uma série de reuniões e visitas técnicas que levaram a comitiva para várias bases do programa, passando pelo Centro de Captação e Armazenamento (CECAM), pela coleta e distribuição nas regiões da cidade de Santos e do bairro de Itaquera, além de uma ação educativa, aconteceu um encontro que reuniu empresas parceiras do programa e representantes de potenciais futuros parceiros para dialogar sobre a importância estratégica dessa grande rede em prol do combate à fome e ao desperdício.

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Encontro com parceiros encerrou a visita.
Foto: Matheus José Maria

O encontro muniu os participantes de um elemento tão importante quanto a doação em si: a energia para seguir adiante. “Essa troca de experiência é muito rica pra que a gente possa melhorar cada vez mais as nossas ações. Nós somos as pessoas que estão nas empresas pensando e articulando, entrando em contato com os parceiros para transformar aquele plano que está no papel em algo real. Então esses momentos nos munem não só de materiais e informações, mas também dão uma energia a mais pra gente, principalmente mostrando que estamos no caminho certo, que temos uma grande rede unida pra combater a fome, a miséria e o desperdício”, disse – ao fim do encontro –  Lilian de Jesus, que é coordenadora de envolvimento com a comunidade da Mondelez Brasil.

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Foto: Matheus José Maria

Um passeio pela história

Por um dia, apito que se ouve não é o da panela de pressão. Hoje o fogo aquece a máquina à vapor e dá a potência necessária para colocar a velha Maria Fumaça em movimento. Em agosto, as equipes das instituições sociais atendidas pelo Mesa Brasil Sesc Campinas puderam deixar de lado a rotina intensa das cozinhas para participar de um passeio turístico pelos trilhos da Viação Férrea Campinas-Jaguariúna.

O passeio aconteceu dentro do cronograma de ações educativas realizadas mensamente como parte da ação do programa Mesa Brasil. Desta vez, o encontro proporcionou uma experiência diferente aos trabalhadores destas instituições:

“O objetivo dessa vivência, além de fortalecer ainda mais o nosso vínculo com essas pessoas, é de quebrar a rotina. Tirar, nem que seja por um período, os cozinheiros e ajudantes dos bastidores, valorizando o seu trabalho e trazendo experiências novas.”, conta Lilian Rocha, coordenadora do programa no Sesc Campinas. “Muitas delas nunca tinham andado de Maria Fumaça”, completa. 

O trecho de linha férrea visitado no passeio tem 24 quilômetros e é remanescente da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, ferrovia  fundada em 1872. A linha ligava os estados de São Paulo e Minas Gerais, e seguiu ativa até o ano de 1971.

Atualmente o trecho remanescente é dedicado ao turismo. O trem trafega a uma velocidade média de 40 quilômetros por hora, passando por fazendas centenárias de café e por paisagens que reavivam as memórias de quem vê.

“Me remeteu de volta à infância, nos trouxe informações que naquela época não tínhamos oportunidade de saber e reabasteceu nossas energias para prosseguirmos nosso trabalho à todo vapor. Foi um dia maravilhoso”

Selma Santos, auxiliar de cozinha na Casa dos Menores de Campinas.

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Aprendendo sobre a Maria Fumaça

 

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Estação lotada!

 

 

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O trem já vai partir…

 

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No caminho, muita história…

 

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E beleza.

 

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O percurso terminou na estação Tanquinho.

 

Dentro de sua programação educativa, o Mesa Brasil Sesc Campinas busca sempre realizar passeios culturais com as equipes das instituições. Nos roteiros, já entraram visitas a outras unidades do Sesc durante exposições relacionadas à alimentação, um passeio por diferentes pontos turísticos da cidade de Campinas e até a visita a um sítio de produção orgânica, onde os participantes aprenderam sobre o tema na prática, vivenciando técnicas de manejo de solo conhecendo os métodos de produção do lugar.

 

 

 

Queridinha das cozinheiras

Sabe por que a abóbora é a queridinha das cozinheiras?

Porque além de deliciosa, ela é versátil, cheia de fibras, vitamina C, potássio e magnésio. Seu teor de fibras (cerca de 10% das nossas necessidades diárias) dá saciedade, faz o que muita gente chama de “sustentar”.

O Mesa Interlagos recebeu doação de Abóbora do doador São José por meio do Cecam, o Centro de Captação e Armazenamento do Mesa Brasil, que recebe e redistribui doações de grandes volumes de alimentos. Claro que as cozinheiras das instituições já prepararam várias delícias com o legume, do prato principal até a sobremesa.

A abóbora foi transformada em sopa, ganhou a companhia do pão francês e ainda virou doce pra deliciar a criançada. Nem precisamos dizer que adoraram não é mesmo?

 Crianc ̧as -comendo -sopa

Doce -de -abobora

Em agosto, o Sesc Interlagos vai desenvolver um projeto que envolve a elaboração de cardápios. O objetivo é trocar ideias sobre como preparar e variar o cardápio. A abóbora, por exemplo, pode ser usada desde a casca para preparo de bolos até a semente como aperitivo ou complemento de saladas!

Com certeza nos próximos meses teremos novidades na mesa das instituições.

Tem tortilha na mesa!

A empresa Villa Buena é uma doadora frequente do Mesa Brasil Sesc Interlagos.  Semanalmente são repassadas ao programa as aparas da produção de tortilhas da fábrica e, eventualmente, acontece a doação das tortilhas em si.

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A tortilha é um tipo de pão folha preparada a partir de farinha de milho ou trigo. Versáteis e saborosas, as aparas podem ser usadas com qualquer complemento disponível, na preparação de lanches, doces e massas.

Pensando no melhor aproveitamento dos produtos pelas equipes de cozinha das instituições, o Sesc Interlagos realizou uma oficina culinária apresentando algumas possibilidades de utilização dos produtos.

 

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Depois da oficina e de receberem as doações semanais, as cozinheiras prepararam os pratos e registraram os usos do alimento na refeição.

Cozinhando

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Servindo -ok

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O Mesa Brasil segue sua ação, não somente doando, mas ensinando como utilizar da melhor forma possível todos os alimentos e combatendo o desperdício!

Queensberry cria sobremesa especial para doação ao Mesa Brasil

A Hero Brasil, fábrica que produz as geleias Queensberry, fez uma doação inédita ao Mesa Brasil. Pela primeira vez, uma empresa criou um produto exclusivo para doação às instituições atendidas pelo programa. Em uma ação de sustentabilidade e responsabilidade social, a Hero Brasil optou por dar uma destinação diferente a uma grande quantidade de recipientes que não seriam mais utilizados na produção. 

“Decidimos criar um rótulo especial em parceria com nosso fornecedor, reaproveitando potes de vidro e tampas não utilizadas, mesmo quando a destinação mais barata seria o descarte”, conta Gerto Rooij, CEO da Hero Brasil.

Antes -do -envasePotes antes do envase

Quase -prontoQuase pronto!

A empresa desenvolveu a receita da nova sobremesa cremosa e buscou parcerias para arrecadar os ingredientes necessários, que foram cedidos pela Ingredion. Para deixar o produto ainda mais personalizado, foram criados rótulos com a marca do programa, em parceria com o fornecedor Alphacor.  Durante um dia, a atividade da Hero Brasil foi dedicada à produção da sobremesa de frutas vermelhas.

FrutasFrutas utilizadas no preparo

Um total de 50 mil potes do creme com pedaços de frutas foram produzidos e doados. A distribuição vem acontecendo em diversas instituições por todo o estado de São Paulo.

AProdutos armazenados para distribuição entre as unidades do Sesc que operam o Mesa Brasil.

Separac ̧a ̃oProdutos armazenados para distribuição entre as unidades do Sesc que operam o Mesa Brasil.

Acompanhamos a entrega na CEI Sinhazinha Meireles. Localizada no Jardim Ivana, Zona Oeste de São Paulo, a instituição atende 272 crianças com idadede 0 a 4 anos.

Entrega

Na -instituic ̧a ̃o

A rotina das crianças na instituição é agitada: acompanhadas pelos funcionários e voluntários, elas cantam, dançam, brincam no parque, pintam… Entre tantas atividades, são servidas várias refeições durante o dia para garantir a energia.

A sobremesa cremosa foi acompanhada por um manjar preparado pela equipe de cozinha da instituição.

Cozinheira

“O Mesa Brasil é um dos nossos grandes parceiros, por que a gente recebe sempre o básico da prefeitura. Através da parceria a gente consegue complementar essa alimentação e dar uma incrementada”,  comenta Renata Paredes, diretora da CEI. 

Cobertura

Desta forma, as crianças tem acesso a alimentos que muitas vezes são novidade em sua rotina. 

“Hoje recebemos essa doação da Queensberry que pode justamente propiciar pras crianças outros sabores. A gente garante a alimentação básica, mas assim como nas atividades, a gente quer que eles experimentem o mundo, a gente também quer que eles experimentem novos sabores. E o Mesa Brasil consegue garantir isso junto com a gente”, completa Renata.

 Potinhos

Maozinha -1

Maozinha -2

Maozinha -3

 

CEAGESP Piracicaba celebra parceria com o Mesa Brasil

O dia 17/05 marcou o aniversário do CEAGESP de Piracicaba. Foi um dia de festa por vários motivos: além da solenidade, o encontro marcou também o lançamento do Banco de Alimentos de Piracicaba.

“Visando uma melhor organização na coleta dos produtos doados pelos permissionários da CEAGESP Piracicaba, um maior aproveitamento de produtos passíveis de serem distribuídos e a diminuição do desperdício, acreditamos que o BCA Piracicaba poderá aumentar o volume de contribuição às entidades cadastradas”, informou em nota Marcos Ludovico Valentini, gerente do CEAGESP Piracicaba.

A parceria entre o Mesa Brasil e o CEAGESP Piracicaba já acontece há 14 anos e os permissionários da companhia doam em média 4 toneladas de alimentos ao mês, o que representa cerca de 15% do total arrecadado pelo programa na cidade. 

O Mesa Brasil também foi homenageando com um troféu que ressalta a relevância da parceira entre o CEAGESP e o Programa. No mesmo dia,  representantes das Instituições atendidas também foram convidados para conhecer a rotina do CEAGESP e fazer uma visita aos doadores  que todos os dias destinam para doação os alimentos que ainda estão adequados para consumo:

“Aproveitamos a solenidade para levar os representantes das instituições sociais atendidas pelo Mesa para conhecer o CEAGESP, passando de banca em banca apresentando os doadores de cada tipo de alimento recebido nas instituições”, conta Daniela Cullen, coordenadora do Mesa Brasil no Sesc Piracicaba.

A visita foi uma importante oportunidade para que as pessoas envolvidas nas duas pontas do Programa pudessem se conhecer e estreitar os laços:

“A gente sabe que os doadores confiam no Mesa e a nossa ida até lá serviu para fortalecer ainda mais o vinculo de parceria”, comenta Manoel Afonso, responsável pelas Relações Institucionais da LBV de Piracicaba.

 

Do esporte à alimentação

Como peças de montar, quase 3 mil caixas tipo monobloco formaram rampas, plataformas, portais e paredões no Sesc Santo André, durante o Sesc Verão 2018. A partir do tema “Esporte fora da caixa”, o público foi convidado a explorar as estruturas inusitadas e a testar diferentes tipos de práticas esportivas, do carrinho de rolimã ao slackline.

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Com o fim do verão, as estruturas foram desmontadas e as caixas, uma a uma, desempilhadas. Antes vazias, ganharam novo uso: destinadas ao programa Mesa Brasil, foram abastecidas de alimentos doados e chegaram a mais de 700 instituições sociais na região da grande São Paulo. 

Dessa forma, a proposta procurou unir sustentabilidade e solidariedade, reduzindo a geração de resíduos e oferecendo um material que muitas instituições não possuíam.

Entrega De Caixas Mesa Brasil - Foto Guilherme Luiz De Carvalho 00027

 O Mesa Brasil distribuiu as caixas entre instituições já cadastradas, que recebem doações regularmente do programa, como creches, abrigos, centros de acolhida e instituições de longa permanência para idosos. Além do Sesc Santo André (com 250 caixas distribuídas), participaram da ação as unidades do Carmo (600 caixas), Itaquera (500 caixas), Interlagos (350 caixas), Campo Limpo (250 caixas) e Osasco (364 caixas).

Acompanhe na galeria mais imagens das doações: