Um encontro para celebrar e agradecer

Uma noite de festa e de gratidão. Assim foi o Encontro Anual do Mesa Brasil Sesc São Paulo da capital e Grande São Paulo, que reuniu cerca de 700 pessoas nesta quinta-feira no Sesc Vila Mariana. Entre os presentes, estavam representantes das empresas doadoras e das instituições sociais cadastradas no Mesa nas unidades Carmo, Itaquera, Interlagos, Santo André e Osasco.

O momento foi de comemorar as conquistas do programa no combate à fome, ao desperdício de alimentos e à insegurança alimentar: no último ano, foram 4,3 mil toneladas de alimentos arrecadados junto a 640 empresas doadoras, distribuídos entre 830 instituições sociais, alimentando 152 mil pessoas em todo o estado. Para captar, armazenar e distribuir grandes volumes de doações, em 2015 ainda foi criado o CECAM – Centro de Captação e Armazenagem Mesa Brasil, um ponto de apoio para as 13 unidades do Mesa no estado.

Confira no vídeo mais dados:

 

Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo, exaltou a importância das doações e do empenho de todas as empresas e também do trabalho realizado pelas instituições sociais atendidas, que preparam e servem as refeições. Além disso, destacou o caráter educativo do Mesa, presente desde o início do programa: “Não basta fornecer o alimento, tem que orientar como utilizá-lo, como guardá-lo, como fazer com que chegue de maneira adequada, cuidadosa e respeitosa até aqueles que precisam. O ato de alimentar não é simplesmente ingerir elementos vitais para o ser humano. Trata-se de um momento de participação social, de troca, de reunião. Por isso o nome Mesa sempre nos inspirou muito. A mesa é o lugar onde comemos, nos reunimos, conversamos e temos oportunidade de ter uma vida social completa e intensa”.

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O Encontro foi também a oportunidade para lançar o livro Sabor sem Desperdício, com receitas que estimulam o aproveitamento integral dos alimentos, uma das questões trabalhadas nas ações educativas do Mesa. Um vídeo com uma das receitas da publicação foi exibido e ao final, uma surpresa! O resultado da preparação pode ser degustado: um pão de mel com aproveitamento integral da banana que deixou o público do teatro com gostinho de quero mais.  

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Distribuído entre os presentes, o livro está disponível gratuitamente para download aqui.

Em seguida, representantes das empresas doadoras foram chamados ao palco para receber uma homenagem e os aplausos de agradecimento. A dona Giovana, do Sabores da Nonna, doadora veterana do programa, fez questão de subir ao palco e emocionou a todos.

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Ao final, a apresentação da orquestra do Instituto GPA, formada por crianças e jovens, animou o teatro.

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Confira a galeria completa:

Educação contra a contaminação

No mês de março, o Mesa Brasil no Sesc Carmo deu início às ações educativas de 2016 com uma palestra sobre a contaminação dos alimentos e as consequências à saúde. Participaram da formação 105 pessoas, entre coordenadores, cozinheiras e auxiliares de cozinha das instituições cadastradas no programa.

Eneo Alves da Silva Júnior, microbiologista de alimentos, falou sobre as formas de contaminação, os riscos à saúde e os controles higiênicos sanitários necessários para os serviços de alimentação. As boas práticas de higiene são recomendadas para a manipulação de alimentos visando à obtenção de produtos seguros que serão consumidos nas instituições sociais por crianças, adolescentes, adultos e idosos.

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Foram discutidas desde medidas de higiene pessoal, como a técnica adequada para lavagem das mãos, até a higiene ambiental e dos vegetais. Outro ponto importante abordado foi o controle do tempo e temperatura dos alimentos para evitar a multiplicação de microorganismos e possíveis riscos à saúde.

A coordenadora do Mesa no Carmo, Sheila Travain, destaca o tema na programação anual: “o planejamento das ações educativas para o ano de 2016 observa a importância de orientar os manipuladores de alimentos das instituições sociais para que consigam replicar as boas práticas nas cozinhas das instituições, garantindo assim não só qualidade nutricional como sanitária dos alimentos servidos”, afirma. 

Fotos: Caroline Araújo

Menos desperdício, mais solidariedade

Na AME Amoroso, instituição que atende 352 crianças na região do Jabaquara, em São Paulo, são quase cinco da tarde, hora do jantar dos pequenos, antes de voltarem para casa – para alguns, também hora da última refeição que terão no dia. No cardápio, sopa com carne, legumes e macarrão. Para a sobremesa, mamão. Ao verem os pedaços chegando, pratinho em pratinho, até a mesa do refeitório, as crianças dificilmente imaginariam o caminho que a fruta percorreu até ali.

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Doação do distribuidor Dallas São Paulo, os mamões haviam sido selecionados na manhã daquele mesmo dia pela equipe do Mesa Brasil, no galpão da empresa, na zona oeste da cidade. Apesar de maduros e em perfeito estado de consumo, não encontraram compradores no complexo processo de distribuição da fruta em bancas e supermercados. “Vários fatores geram ‘quebras’ (perdas) no processo. Depende da quantidade da mercadoria que recebemos dos produtores, o grau de amadurecimento das frutas, o clima, a demanda do consumidor nos pontos de venda, entre outros”, explica Samuel Comim Canavarolli, gestor de qualidade da Dallas São Paulo.

A partir da parceria com o Mesa, desde janeiro, os mamões que não são comercializados são doados diariamente e vão alimentar quem precisa. Até agora, já foram doados quase 40 mil quilos de mamão formosa, que chegaram a 106 instituições sociais atendidas pelo programa, alimentando mais de 25 mil pessoas.

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Para a Dallas, o que antes era perda, virou ganho social. “Para nós é uma grande satisfação saber que, em vez de somar ao desperdício no Brasil, estamos fazendo o nosso produto chegar à mesa de quem antes não tinha acesso”, afirma Samuel.

O gestor conta que hoje, cerca de 99% do que é doado pela empresa é destinado ao Mesa Brasil. De acordo com ele, o que permite o sucesso da parceria é a logística perfeita: “Com o Mesa, não há falhas e a equipe está estruturada para o nosso porte. O programa vem até o galpão no momento em que está vazio e faz toda a seleção sem afetar a operação da empresa. E ainda não tenho os custos que teria com o descarte”.

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Ganha o doador e ganham as instituições. “Procuramos oferecer frutas às crianças sempre no café da manhã e à tarde, além de sucos naturais, mais saudáveis. Mas hoje em dia as frutas estão caras, por isso as doações são muito importantes para a nós”, conta Sueli Gaspar, gerente do CCA São Benedito, que atende 180 crianças de 6 a 14 anos e onze meses. Assim como a AME Amoroso, essa foi uma das quatro instituições visitadas pelo caminhão do Mesa do Sesc Interlagos naquele dia. Também fizeram parte do roteiro de doações a AMAS Jabaquara, que recebe 120 crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, e o albergue Abecal, que abriga diariamente cerca de 150 pessoas em situação de rua.

Acompanhamos a equipe do Mesa durante um dia inteiro, da coleta à distribuição; confira:

Mesa Brasil Sesc Bauru realiza cadastramento das Instituições Sociais

No dia 19 de fevereiro, o Mesa Brasil no Sesc Bauru realizou reunião com as instituições sociais para o cadastramento de 2016. Participaram representantes de 85 instituições sociais.

Esse encontro tem um valor especial para o Mesa, pois marca o reinício da parceria junto às instituições que, com suas presenças, validam anualmente seu comprometimento com o programa.

Além do esclarecimento de dúvidas quanto ao cadastramento, foi apresentada a programação do 1º semestre do Sesc Bauru e reforçado o convite aos representantes e assistidos a participarem das diversas atividades gratuitas, abertas ao público e dirigidas às diversas faixas etárias na unidade.

Marcaram presença nesse encontro as seguintes instituições:

ACAÊ – ALFA – Associação Comunidade em Ação Êxodo
ACAÊ – BETA – Associação Comunidade em Ação Êxodo
ACOP – RESIDÊNCIA INCLUSIVA
APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Itapuí
Asilo Bezerra de Menezes – Pirajuí
Cantinho do Idoso – Centro Espírita Antoninho Marmo
Casa Abrigo de Pederneiras
Casa de Passagem Feminina
CEAC – Albergue Noturno
Centro de Promoção Social de Bariri
Centro de Convivência de Tibiriçá
CEVAC – Centro de Valorização da Criança – Creche
Creche Escola de Duartina
Creche Berçário Antônio Pereira
Creche Berçário Cruzada dos Pastores de Belém
Creche Berçário Ernesto Quaggio
Creche Berçário Rodrigues de Abreu – REDENTOR
Creche Berçário São Francisco de Assis – ACOP
Creche e Centro Educativo Unidos Para o Bem
Creche Recanto Rainha da Paz – Bom Pastor
Creche Jardim Nicéia
Esquadrão da Vida – Equipe Cristo Verdade que Liberta
Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Pederneiras
POC – Pequenos Obreiros de Curaçá
SORRI – Bauru
Abrigo Criança – Serviço de Promoção Social de Piratininga
APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Bariri
APIECE – Associação de Pais para Integração Escolar da Criança Especial
Associação de Proteção à Maternidade e à Criança
Associação Wise Madness – Otávio Rasi
Casa da Criança Madre Maria Teodora Voiron
Casa de Maria de Pederneiras – Comunidade
Casa do Menor Renascer – Agudos
CEAC – Creche Berçário Nova Esperança
CEAC – Projeto Colméia – Vila São Paulo
CEAC – Projeto Crescer – V. Zillo
CEAC – Projeto Girassol – N. Fortunato Rocha Lima
CEAC – Projeto Seara de Luz
Centro de Convivência da Melhor Idade
CEVAC – Centro de Valorização da Criança – Projeto CCIJ
CIPS – Consórcio Intermunicipal da Promoção Social Região de Bauru
Comunidade Terapêutica masculina – Bom Pastor
Comunidade Terapêutica feminina – Bom Pastor
Creche Doce Recanto
Creche e Berçário Jamile Haddad Maluf
Creche e Centro Educativo Monteiro Lobato
Creche Evangélica Bom Pastor
Família de Nazaré – ACOP
Fundação Amigos de João Bidu
IASCJ – Centro de Ações Sócio Educativas Irmã Adelaide
IPRESPA – Instituto Profissional de Reabilitação Social 1º de Agosto
Lar Escola Santa Luzia para Cegos
Lar Irmã Dulce
Lar São Vicente de Paulo – Assistência Vicentina de Pederneira
LBV – Centro Comunitário e Educacional
Legião Feminina de Bauru
Núcleo Amizade
Projeto Caná – Associação Comunitária
Recomeço – Comunidade Terapêutica – Agudos
Vila Vicentina – Piratininga
APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Agudos
APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Arealva
Associação Beneficente Cristã – Abrigo
Associação Wise Madness – Galpão
Associação Wise Madness – Abrigo
Casa da Esperança
Casa do Garoto – Dos Padres Rogacionistas
CEAC – Programa Criança em Ação – Jd. Ferraz
Centro Comunitário Assistencial e Educacional Aníbal Difrância
CITE – Centro de Interação Social – Fundação Toledo
Creche Berçário Dr. Leocádio Correa
Creche Nossa Senhora do Desterro
Creche Berçário São José
Creche Berçário São Judas Tadeu e São Dimas
Creche de Assistência “Nossa Criança” – Tibiriçá
INSCRI – Instituto Social São Cristóvão
Instituição “Bom Samaritano” – Creche Alice Barros de Azevedo
Legião Mirim de Pederneiras
RASC – Recuperação e Assistência Cristã
SAPAB – Associação de Apoio a Pessoa com Aids de Bauru
Vila Vicentina – Arealva
Vila Vicentina – Bauru
Projeto Formiguinha
Apae de Pederneiras

O Encontro foi finalizado com uma palestra sobre “Economia Solidária” proferida por José Carlos da Silva e Renato Marchesini, da Caiçara Expedições.

Participação especial no Sesc Verão

Em janeiro, a programação do Sesc Verão em Campinas teve a presença de um público especial: as crianças e adolescentes das instituições sociais atendidas pelo Mesa Brasil, entre elas a Obra Social – Núcleo Dom Bosco, Associação Nazarena Assistencial (ANA 1 e ANA 2), Casa dos Menores, Instituição Padre Haroldo Rahm, Associação de Educação do Homem do Amanhã (Guardinha), Centro de Educação e Assessoria Popular (CEDAP) e Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais.

Em plena época de férias escolares, as crianças passaram o dia no Sesc e participaram da vivência proporcionada pelo Sesc Campinas com a ex-ginasta Daiane dos Santos. Daiane contou um pouco sobre sua carreira e compartilhou com o público a prática de alguns exercícios básicos da Ginástica Artística, no solo e em aparelhos. Para muitos jovens, foi o primeiro contato com este esporte e uma oportunidade de vivenciá-lo de forma lúdica. Além disso, é também uma forma de incentivar a prática esportiva, importante para o bem estar e a saúde.

“Ver a Daiane dos Santos foi emocionante, nunca esperava conhecer alguém do mundo do esporte, e me interessei muito por esta modalidade”, contou Geovana dos Santos Pina, educanda da Obra Social – Núcleo Dom Bosco.

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Beleza não se põe à mesa

Pepino em forma de bengala, banana gêmea, cenoura com duas pernas… Você já viu um alimento assim na gôndola do mercado? Escolheria um deles para por no seu carrinho de compras?

As frutas e legumes feios, ou fora do padrão, muitas vezes são rejeitados pelos consumidores e acabam sobrando, esquecidos no fundo da banca. Resultado: são descartados e vão somar ao triste ciclo do desperdício de alimentos. E sem motivo algum, afinal a aparência diferente de um alimento não significa menor qualidade – nem em sabor, nem em nutrição.

Sabendo dessa “exigência estética”, alguns produtores descartam os alimentos que estão fora do padrão antes mesmo de chegarem aos pontos de venda. De acordo com pesquisa da revista Hortifruti Brasil, produzida pela Esalq/USP,  alguns dos legumes e frutas feios são destinados a restaurantes/lanchonetes, a mercados populares, à indústria (para a produção de molhos e sucos, por exemplo) ou à doação (diretamente para instituições ou para programas como o Mesa Brasil), mas nem sempre há uma destinação formal para esses alimentos. É possível acessar os dados completos da pesquisa na revista online aqui.

Fuja do Padrão!

Essa foi a proposta de uma das atividades realizadas pelo Mesa Brasil do Sesc Interlagos durante a programação do Dia Mundial da Alimentação 2015. Expostos na banca, os vegetais nos mais diferentes formatos chamavam a atenção: um abacaxi com três coroas, o chuchu em forma de coração, a manga em meia lua. A intenção foi conscientizar o público de que frutas e legumes em formatos e tamanhos fora do padrão podem se transformar em refeições deliciosas, mostrando que beleza não se põe à mesa.

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O consumo de alimentos fora do padrão, assim como o aproveitamento integral – da semente à casca -, está entre as ações incentivadas pelo Mesa Brasil como formas de reduzir o desperdício dentro de casa e também nas instituições sociais que beneficia.

Gente bonita come fruta feia

Em Portugal, uma iniciativa criada em 2013 tem dado bons resultados ao oferecer um meio de unir produtores locais e consumidores, estimulando a mudança nos padrões de consumo: a cooperativa Fruta Feia. Com o lema “Gente bonita come fruta feia”, a iniciativa recolhe a produção agrícola que antes seria desperdiçada e disponibiliza frutas e legumes em kits semanais para consumidores cadastrados previamente, a preços mais baixos que o de mercado. A Fruta Feia conta com 800 consumidores associados e evita semanalmente cerca de 4 toneladas de desperdício.

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Em outros países, incluindo o Brasil, há supermercados que oferecem alimentos fora do padrão a preços mais baixos. É o caso do Intermarché, na França, e o Atacadão, do grupo Carrefour, no Brasil, com o projeto “Sans Form”. Há também exemplos de movimentos mais radicais, como o Freeganismo, um estilo de vida que propõe o boicote ao consumismo e inclui o garimpo urbano, aproveitando o que é descartado no lixo, ocupando espaços abandonados etc.

Uma conta que não fecha

Cerca de um terço dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado, de acordo com estimativas da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), um montante que chega a 1,3 bilhão de toneladas. A exigência de um “padrão de beleza” dos alimentos é apenas um dos diversos fatores que levam ao desperdício. As perdas e desperdícios acontecem ao longo de toda a cadeia produtiva, devido a condições inadequadas de transporte, processamento, armazenamento, comercialização, até chegar ao consumo. Ao jogar um alimento no lixo, portanto, estamos jogando não só ele, mas também todos os recursos, água e energia (elétrica, combustível) gastos desde que ele foi colhido até a porta da nossa casa. Enxergar a beleza nos alimentos feios é um passo pequeno, mas importante para reduzirmos a conta do desperdício e refletirmos sobre alimentação, consumo e as consequências para o planeta.

 

Um Reconhecimento pela Parceria

O Programa Mesa Brasil Sesc Bauru recebeu uma homenagem do CIPS (Consórcio Intermunicipal da Promoção Social) como agradecimento e reconhecimento pela parceria, apoio e contribuição para promoção do bem estar de crianças e adolescentes.

O CIPS é uma organização não governamental (ONG), de atuação municipal, considerada de Utilidade Pública, cuja finalidade é atender crianças e adolescentes com idadea entre 3 e 17 anos e 11 meses, provenientes de famílias de baixa renda, através de atividades educativas que ofereçam condições para o exercício da cidadania.

Presente em todo o país, o Mesa Brasil Sesc funciona como uma rede de combate à fome, ao desperdício e à má distribuição de alimentos, baseada na parceria entre a sociedade civil, o empresariado e as instituições sociais. 

A parceria do Mesa em Bauru com o CIPS contribui para inclusão social e a cidadania das crianças e adolescentes atendidos, e teve ação transformadora em 2015. As doações recebidas agregaram valor nutricional às refeições servidas diariamente na instituição, não permitindo que alimentos ainda próprios para o consumo fossem desperdiçados.

6ª edição do Livro de Receitas Sesc Bauru

Mudar alguns hábitos que fazem parte da nossa própria tradição requer atitude para transformar cascas, folhas e talos em saborosas e nutritivas receitas.

Com o objetivo de intensificar as ações educativas já desenvolvidas junto às instituições sociais cadastradas, o Mesa Brasil do Sesc Bauru realizou, pelo sexto ano consecutivo, em parceria com a USC – Universidade do Sagrado Coração, uma oficina culinária para o desenvolvimento de novas receitas. Os participantes usaram a criatividade para inovar e transformar produtos que antes iriam para o lixo em refeições muito nutritivas.

Nessa 6ª edição do Livro de Receitas Sesc Bauru será possível conhecer as cozinheiras de diversas instituições e suas saborosas receitas criadas com aproveitamento integral dos alimentos.

Inovar, Transformar e Aproveitar! Essas palavras fazem parte desta publicação e das edições anteriores. Economize, varie o cardápio, agregue valor nutricional à alimentação e contribua para a diminuição do desperdício de alimentos em nosso país.

Baixe aqui o Livro de Receitas Sesc Bauru 2015.

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As edições anteriores e outras publicações do Programa Mesa Brasil você encontra na nossa Biblioteca Digital.

Um dia de Mesa Brasil em Bauru

Mirele Ribeiro, membro da comissão Lixo Menos é Mais, do Sesc Bauru, fez um relato emocionante sobre como foi passar um dia no Mesa; confira:

09/04/2015 – 6h55 – Bauru – SP

Naquela quinta-feira, fiz o caminho rotineiro de 4 anos e meio até o Sesc Bauru. Ao passar o cartão de ponto soltei um bocejo. Sete horas da manhã não é bem o ‘fuso horário’ de quem está acostumada com a jornada da uma da tarde às dez horas da noite. 

‘E aí, vamos?’ chamou o colega de trabalho Rodolfo, motorista do Mesa Brasil, que diferente de mim estava bem acordado e disposto. Para ele, era mais um dia de trabalho normal que iniciava; para mim, funcionária da Central de Atendimento, aquela era uma espécie de visita a campo que chamei de ‘um dia de Mesa Brasil’. Mas do que depressa assenti e tratei de seguir ‘os meninos do Mesa’. 

Quando chegamos aos caminhões, reparo que não sou a única ‘intrusa’ ali. Ao meu lado, Gisele, nossa auxiliar de odontologia que naquela manhã não estava de branco, também iria acompanhá-los. Gisele entrou em um caminhão, eu entrei em outro, cada uma de nós com uma dupla do Mesa Brasil e, logo que deixamos os portões do Sesc, cada caminhão seguiu rumo a uma direção diferente da cidade. Mas o que afinal duas funcionárias de áreas tão distintas faziam ali ‘pegando uma carona com o Mesa’? Bem, voltemos um pouquinho no tempo… 

13/03/2015 – 16h30 – Sala de reuniões do Sesc Bauru

A comissão do programa Lixo Menos é Mais – formada por funcionários de diversos setores da unidade – estava reunida para debater estratégias que auxiliassem a redução de resíduos, para pensar e/ou repensar a destinação dos mesmos e para buscar ações de cunho cultural-educativo em prol do meio ambiente, em um primeiro momento no âmbito interno do Sesc e, posteriormente, estendendo essas ações ao público. 

Naquele contexto, recebemos do presidente da comissão um convite. ‘Cada um de vocês vai passar um dia acompanhando o trabalho do Mesa Brasil, desde quando o caminhão sai daqui da unidade para ir captar os alimentos doados até quando retorna pra cá, após redistribuir o que foi coletado para as instituições cadastradas’, propôs Valdir, escriturário do Mesa Brasil, que previu que ao conhecermos como realmente funciona o ciclo de redistribuição que evita desperdícios e alimenta quem precisa feito pelo programa, teríamos uma bagagem maior para debatermos conscientização ambiental e social que tanto queríamos atingir. 

A partir dali ficou fixado o calendário para que, um a um, os membros da comissão do Lixo Menos é Mais, tivessem um dia com o Mesa Brasil.

09/04/2015 – 7h20 – Bauru – SP

Com as luvas nas mãos, olhei para a caixa de maçãs… como selecionar? ‘Pensa assim, o que você consumiria na sua casa, levaria para sua família. É o que estará bom para levarmos para as instituições’, me explicou Rodolfo. Respeito: foi a palavra que ecoou na minha mente. A credibilidade que o programa construiu ao longo dos anos está, sem dúvida, baseada no respeito mútuo. 

Aquele era somente o primeiro doador do dia, mas o tratamento se repetiu pelo outros que visitamos. Quando chegávamos, os funcionários dos estabelecimentos cumprimentavam cordialmente e indicavam o que tinham reservado para nós, alimentos que já não possuíam mais valor de mercado, mas ainda estavam próprios para consumo, com a convicção de que levaríamos aquela doação para fazer a diferença na mesa de quem estava à espera. 

Sobe no caminhão, desce do caminhão. Vai caixa vazia, volta caixa cheia. Sobe, desce… Mercados, panificadora… 

09/04/2015 – 11h15 – Bauru – SP

Um caminhão gigante, praticamente fechando a rua, vindo do sul do país como contaram os funcionários do distribuidor de tomates que estavam direcionando o motorista para descarregarem toneladas do produto. Toda aquela movimentação acontecia enquanto levávamos algumas caixas para o nosso caminhão. Dezessete, dezoito, dezenove caixas de tomates… Vinte e cinco, vinte e seis, vinte e sete caixas de avocados… Ou seria o contrário? A verdade é que àquela altura já havíamos percorrido vários estabelecimentos, rodado dentro e fora de Bauru e, confesso, já tinha perdido as contas todas, mas Rodolfo e Hudson continuavam mantendo o controle de tudo o que coletávamos e o caminhão organizado, tudo isso com uma agilidade incrível. 

Assim, a manhã passou que nem vi e já estávamos de volta ao Sesc Bauru. Era chegada a hora do intervalo para uns, digo, para nós, e da burocracia para outros, no caso para Valdir e Lisandra (coordenadora do Mesa em Bauru), que a partir daquele momento dariam conta dos recibos, notas e da distribuição adequada para cada instituição que seria visitada no período da tarde diante do arrecadado pelo dois caminhões.

09/04/2015 – 13h – Sesc Bauru

Avocado pra lá, mamão para cá… Com a tabela de distribuição do dia já em mãos, os meninos trocavam itens de um caminhão para o outro. Banana pra cá, pão pra lá… ‘Pronto? Então vamos!’ disse Gisele ao meu lado, visivelmente animada para começarmos a segunda etapa do dia, um reflexo de que, assim como eu, ela já havia sido conquistada pelo trabalho do Mesa Brasil só pelo que viu durante o período da manhã. E lá fomos nós. Mais uma vez, cada caminhão para um lado. 

Bauruense, nascida e criada na cidade, me vi chegando a lugares que nem sabia que existiam. Mas as instituições nas quais chegávamos sabiam bem da existência do Mesa Brasil. Incrível, como mais uma vez estava presente o respeito, a simpatia e a cordialidade de ambos os lados. 

09/04/2015 – 15h40 – Piratininga – SP

‘Pode ser por aqui…’ indicou a responsável pela instituição que recebia pela primeira vez uma entrega do Mesa Brasil. Enquanto as crianças, em seu intervalo, nos olhavam curiosas e acenavam com as mãozinhas, levamos os mantimentos para a cozinha. ‘Nossa é tudo isso?’ a surpresa estampada no rosto de quem acabava de ser apresentada ao programa. Havia satisfação presente em ter alegrado aquelas pessoas naquele momento, mas existia muito mais por ter o conhecimento de que dali em diante seria permanente. 

09/04/2015 – 17h – Sesc Bauru

O dia de trabalho acabou, ou melhor dizendo, a missão diária do Mesa Brasil tinha sido cumprida. Na manhã seguinte, os ‘meninos do Mesa’ estariam novamente nas ruas, fizesse chuva ou sol, realizando o bonito e responsável trabalho de redistribuir. Se antes já admirava a existência do programa, agora me encantava sua essência. E foi então que percebi que aquele dia tinha me impossibilitado de escrever uma matéria em 3ª pessoa, de apenas narrar fatos e citar números ou mesmo de atribuir a esse texto o título ‘Comissão do Lixo Menos é Mais acompanha dia de trabalho do Mesa Brasil’. Pois vivi ali uma grata experiência de imersão que exigiu de mim esse depoimento. Naquela quinta-feira de abril, pude compreender que o Mesa Brasil não é só sobre solidariedade, é mais do que isso, é sobre consciência, responsabilidade e igualdade. É sobre valores como ser humano. Que o mundo viva muitos mais dias como aquele. 

Depoimentos

Gisele – odontologia – viveu um dia de Mesa Brasil em 09/04/2015

‘Embora soubesse um pouco sobre o trabalho do Mesa, somente vivenciando, mesmo que por apenas um dia, para saber o quão gratificante é. A dedicação dos funcionários ao efetuarem a coleta dos alimentos é impressionante. Um trabalho muito lindo que é feito através do ato de pensar no próximo, contribui com a diminuição do desperdício de alimentos, que ao chegar nas instituições complementarão as refeições de muitas pessoas, principalmente crianças e adolescentes. Fiquei surpresa com a quantidade de alimentos que são descartados pelas empresas. A lição que fica é de inspiração. O Mesa arrecada onde tem de sobra e leva para onde tem pouco, fazendo com o que seria lixo hoje se torne a refeição de amanhã.’

Guilherme – Administrativo – viveu um dia de Mesa Brasil em 14/05

‘É uma rotina diferente, distante do que estou habituado em fazer nas minhas horas de trabalho. Me sensibilizei  pelo programa e pela sua preocupação em proporcionar uma qualidade de vida melhor para crianças, jovens etc. Ressalto também a capacidade e o talento dos funcionários na separação dos alimentos nos estabelecimentos, a grande preocupação com a qualidade destes. Entendo o Mesa Brasil como um conjunto de atividades e ações que supri e complementa de forma solidária o setor alimentar e nutricional de entidades do município e região, combatendo o desperdício.’

Helleni – Secretária – viveu um dia de Mesa Brasil em 14/05

‘Surpreendeu-me a forma como eles trabalham com carinho e atenção, é um trabalho muito certinho, eu não tinha ideia de que é tão cansativo, no último lugar do dia eles carregaram 21 caixas de poncã! Saindo dos lugares eles já vão ligando e repassando aqui pra Unidade qual é o alimento e  as quantidades recolhidas, é uma dinâmica muito rápida e trabalho em equipe mesmo. Teve uma instituição infantil que me marcou, pois quando o caminhão foi chegando as crianças já começaram a fazer festa, elas estavam mesmo muito felizes. É um trabalho que realmente funciona. De outro lado é importante que as pessoas entendam como esse  programa se desenvolve porque receber o alimento é só uma ponta de um trabalho que é muito mais extenso, que não pode ser visto como uma obrigação do Sesc por parte de quem está ali recebendo essas doações, é necessário consciência e valorizar o que é feito. Acredito que deveria ser ainda mais divulgado por que é um trabalho de se respeitar e tentar imitar em nossa própria rotina.’

Giovana – Administrativo – viveu um dia de Mesa Brasil em 25/06

‘Há todo um cuidado em selecionar o alimento que será consumido por outras pessoas. É perceptível a diferença entre a forma de armazenagem de um mercado e de outro, há aqueles que são exemplo de higiene, mas infelizmente não são todos. E aí, entra o cuidado dos meninos do Mesa em separar tudo certinho e com uma prática de dar inveja. É uma dinâmica muito rápida e que funciona. É algo do qual você fica muito feliz de participar e se pega pensando que poderia existir isso em todos os municípios, pois há muito desperdício por aí. E você repensa valores também. Dessa experiência, eu fiquei muito mais consciente do meu próprio desperdício.’

Mesa Brasil na levada do rap!

Música, poesia, emoção e muito rap deram o ritmo do Encontro Anual do Mesa Brasil do Sesc Campinas. Representantes das empresas doadoras e das instituições sociais atendidas, além da equipe do programa, reuniram-se para celebrar mais um ano da parceria que, em 2015, arrecadou mais de 240 mil quilos de alimentos junto a 25 doadores, beneficiando mais de dez mil pessoas atendidas em 52 instituições.

 

O rapper Renan Inquérito, um mestre de cerimônias nada cerimonioso, conduziu a festa com alegria e descontração. Um verso aqui, um rap ali, uma citação acolá: as palavras escolhidas com carinho ganhavam rimas, da mesma forma que os ingredientes de uma receita, adicionados aos poucos, combinam sabores. “Na poesia, a gente vai mexendo as palavras para criar uma frase bonita, assim como na cozinha é a mistura de ingredientes que vai culminar num prato gostoso”, compara Renan.  Músicas como “Comida”, dos Titãs, “Chocolate”, de Tim Maia e poemas como “Trem de Ferro”, de Manuel Bandeira, foram lembrados, cantados e recitados durante o evento, entre homenagens e agradecimentos.

“Entendemos que a poesia pode estar em todo lugar. No olhar de um doador de alimentos que, neste gesto, auxilia quem precisa. Pode estar no trabalho, no suor, no cuidado da equipe do Mesa Brasil, em dar aos alimentos que seriam desperdiçados a chance real de consumo. Pode estar no trabalho lindo das instituições sociais que dia após dia contribuem para a formação de pessoas melhores”, afirma Lilian Rocha, coordenado do Mesa Brasil Sesc Campinas.

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Ao final, chamados ao palco, os doadores receberam uma homenagem especial: cada representante ganhou um avental poético e foi convidado a recitar um trecho do poema Receita para um novo dia, de Sérgio Vaz:

Pegue um litro de otimismo,
Duas lágrimas – de preferência
Escorridas no passado
Duas colheres de muita luta
E sonhos à vontade.
Duzentos gramas de presente
E meio quilo de futuro.
Pegue a solidão, descasque-a toda
E jogue fora a semente.
Coloque tudo dentro do peito
E acenda no fogo brando das manhãs de sol
Mexa com muito entusiasmo.
Ao ferver, não esqueça de colocar
Uma dose de esperança
E várias gotas de liberdade.
Sorrisos largos e abraços apertados,
Para dar um gosto especial.
Quando pronto,
assim que os olhos começarem a brilhar,
Sirva-o de braços abertos.